5 de Novembro de 2015 / às 13:30 / em 2 anos

BC fará o necessário para inflação ir ao centro da meta em 2017, diz diretor

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central tomará as medidas necessárias para levar a inflação ao centro da meta em 2017, em meio ao cenário de alta dos preços mais prolongada do que o previsto, ajustes fiscais e confiança abalada.

Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino/

“O Banco Central adotará as medidas necessárias para o cumprimento dos objetivos do regime de metas e para trazer a inflação à meta de 4,5 por cento ao ano em 2017”, afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, nesta quinta-feira. “Essa é a mensagem que queria deixar. Essa é a mensagem final”, acrescentou.

Até poucas semanas atrás, o BC defendia que a inflação voltaria para o centro da meta no fim de 2016. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) passada, em outubro, o BC desistiu do objetivo para o próximo ano em meio ao cenário de indefinições fiscais e turbulências políticas no país. [nL1N12M00Z]

Na ata do Copom, divulgada na semana passada, o BC piorou sua previsão para a inflação neste ano e em 2016, afirmando que ambas estão acima do centro da meta, e elevou o tom ao afirmar que permaneceria vigilante “independentemente do contorno das demais políticas”, citando claramente o atual cenário fiscal conturbado e incerto. [nL1N12T0UT]

A declaração do diretor influenciou o mercado de juros futuros nesta sessão, com alta dos DIs, com os investidores reforçando as apostas de que o BC poderia voltar a elevar a Selic --hoje a 14,25 por cento ao ano-- se o cenário se deteriorar muito.

Lopes, que pela primeira vez fala à imprensa neste cargo, afirmou ainda que o consumo das famílias apresenta desempenho fraco por baixa confiança, mas também por eventos não econômicos.

Segundo ele, o ajuste de preços está mais prolongado do que o previsto, com resiliência dos preços livres e crescimento exponencial dos administrados. Para ele, os preços administrados subiram muito e fazem parte do efeito do ajuste fiscal.

O diretor disse ainda que há indícios de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, possa elevar a taxa de juros dos Estados Unidos em dezembro. Para ele, o processo de recuperação na Europa é lento mas, na China, dados mais recentes indicam persistência de acomodação da economia, mas de forma controlada.

Reportagem de Marcela Ayres; Texto de Patrícia Duarte; Edição de Bruno Federowski e Camila Moreira

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