7 de Novembro de 2015 / às 18:49 / em 2 anos

Desastre em mina brasileira deixa 25 pessoas desaparecidas em lama de rejeitos

MARIANA, Minas Gerais (Reuters) - As equipes de resgate lutaram neste sábado para chegar às aldeias devastadas por uma lama de rejeitos depois que duas barragens romperam em uma grande mina brasileira, causando estragos mais de 80 quilômetros e levando autoridades a alertarem para um número de mortes que pode subir.

Uma dúzia de moradores de aldeias vizinhas continua desaparecida, juntamente com 13 trabalhadores da mina, mas apenas uma morte foi confirmada no que governador de Minas Gerais descreveu como o pior desastre ambiental do Estado.

“O número de mortos vai subir com certeza (...) O número de desaparecidos vai subir porque estamos conversando com os moradores do (distrito de) Bento (Rodrigues) e algumas pessoas ainda não foram encontradas”, disse o prefeito da cidade de Mariana, Duarte Júnior (PPS), a jornalistas.

Autoridades da cidade de Mariana divulgaram uma lista parcial de pessoas desaparecidas, incluindo três crianças, com idades entre 4 e 7 anos, e uma mulher de 60 anos.

A operadora da mina, a Samarco, é uma é uma joint-venture da maior mineradora do mundo, a BHP Billiton, com a maior produtora de minério de ferro, a brasileira Vale. A limpeza e os reparos devido ao incidente poderão custar às empresas uma fortuna.

Um promotor público estadual, baseado em Mariana, afirmou neste sábado que vai buscar 500 mil reais em danos pessoais para cada uma das cerca de 200 famílias mais afetadas pelo desastre.

Enquanto ainda não está claro o que causou o colapso das barragens, a Samarco declarou neste sábado que os trabalhadores estavam fazendo trabalhos programados normais em uma das barragens para aumentar o seu tamanho quando ela explodiu.

O rompimento de barragens de rejeitos de mineração da Samarco, que ocorreu na quinta-feira, gerou uma torrente de lama que se moveu rapidamente para baixo, envolvendo o distrito de Bento Rodrigues, de 600 residentes, em um mar de lama. O rompimento também inundou outros locais mais distantes da mina.

“Eles não disseram para nós para que a lama viria com tanta força. Perdemos tudo muito rápido. Teremos que ver quanto as empresas vão pagar”, disse a dona de casa Losangeles Domingos Freitas, 48.

Seu vizinho Bernardo Trindade, um encanador de 58 anos, disse que as autoridades advertiram que o rio atrás de sua casa iria encher por um metro ou dois. Mas as águas subiram mais de 10 metros, disse ele, varrendo sua casa às 3 da manhã, quase metade de um dia após o rompimento das barragens.

“Tiramos o que podíamos e corremos para cima”, disse Trindade. “Fomos informados de que não seria tão ruim.”

Meia dúzia de veículos com água e suprimentos de emergência passaram por Barra Longa no caminho para Gesteira, uma das várias vilas remotas ao longo do rio que as equipes de resgate ainda não haviam chegado.

RISCOS AMBIENTAIS

Enquanto as equipes de resgate trabalharam para chegar às comunidades isoladas, funcionários do Estado estavam tomando precauções para conter as consequências ambientais da explosão das barragens.

As barragens retinham as chamadas bacias de rejeitos, massas de resíduos de rocha moída e água que sobraram de processos realizados para a melhoria da qualidade do minério de ferro, que podem conter substâncias químicas nocivas.

Autoridades da defesa civil disseram que as autoridades estaduais de saneamento iriam testar a toxicidade dos rios. Enquanto isso, moradores que entraram em contato com a lama foram aconselhados a tomar banho e descartar suas roupas.

A Samarco procurou minimizar esses temores, dizendo que não havia elementos químicos nas barragens de rejeitos que representavam riscos para a saúde quando o acidente ocorreu.

O diretor-presidente da Samarco disse que licenças ambientais da mina estavam em dia e as barragens haviam sido inspecionadas em julho.

Ele afirmou que um tremor nas imediações da mina poderia ter causado o rompimento das barragens, mas que era muito cedo para estabelecer a causa exata.

A Samarco afirmou que não havia fixado uma data para reiniciar a mina, que produz cerca de 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

A produção é enviada para a costa do Brasil e convertida em pelotas para exportação para siderúrgicas.

O projeto de limpeza e as possíveis ações judiciais ambientais podem ser mais caras do que a perda da produção. BHP Billiton e Vale já enfrentam preços do minério de ferro em seus níveis mais baixos em uma década.

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