10 de Novembro de 2015 / às 17:33 / em 2 anos

Samarco vai alugar 200 casas para desabrigados de desastre em MG, diz prefeito

Família em abrigo para pessoas desalojadas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, após rompimento de barragem. 6/11/2015. REUTERS/Ricardo Moraes

MARIANA, Minas Gerais (Reuters) - A mineradora Samarco deverá alugar cerca de 200 residências para abrigar os desabrigados pelo rompimento de barragens da companhia, que estão hospedados provisoriamente em hotéis e pousadas na cidade histórica de Mariana, em Minas Gerais, afirmou à Reuters nesta terça-feira o prefeito Duarte Júnior (PPS).

“A Samarco vai alugar casas porque as pessoas têm que voltar um pouco à realidade”, afirmou ele, acrescentando que a partir da próxima semana as crianças vítimas do desastre vão voltar a estudar em escolas que serão instaladas em Mariana, em tempo integral.

Procurada, a Samarco não comentou imediatamente a informação.

As casas que poderão ser alugadas já estão sendo cadastradas pela empresa e pela prefeitura.

Segundo Duarte Júnior, a Samarco está dando todo o suporte necessário para as pessoas impactadas pelo rompimento das barragens.

Entretanto, representantes de alto escalão das proprietárias da empresa, as gigantes de mineração Vale e BHP, ainda não entraram em contato com a prefeitura, segundo o prefeito.

“Eu pedi realmente que eles estivessem presentes, porque a Samarco é da BHP e da Vale, as três empresas têm que sentar e definir o que vai acontecer em conjunto, porque a Samarco é um nome fantasia, nós precisamos da BHP e da Vale para assumir responsabilidades dessa tragédia”, afirmou o prefeito.

A Vale informou em nota anteriormente que o presidente-executivo da mineradora, Murilo Ferreira, sobrevoou a região atingida na tarde de sábado. E que, após o sobrevoo, Ferreira se reuniu com o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e diretores da unidade da empresa na região.

A Vale disse ainda que disponibilizou para a Samarco diversos equipamentos, incluindo helicópteros, para auxílio nos trabalhos na região atingida pela lama. 

Até o momento, Duarte Júnior disse que a prefeitura não tem informações de que o presidente ou diretores de ambas as companhias (Vale e BHP) estejam vindo para a cidade.

O prefeito também manifestou preocupação sobre as receitas do município.

A Vale informou nesta terça-feira que sua produção nas minas de Fábrica Nova e Timbopeba poderá ser impactada negativamente em 3 milhões de toneladas em 2015 e 9 milhões de toneladas em 2016 devido ao rompimento de duas barragens da mineradora Samarco.

Além disso, a própria Samarco está com a produção paralisada.

O prefeito também destacou que está preocupado com o futuro econômico da cidade, que deverá ser impactada com a queda da arrecadação de royalties da mineração. 

“Mais de 80 por cento de nossa arrecadação vem da atividade de mineração e deve haver agora uma queda brusca na arrecadação do município e isso me preocupa muito”, afirmou o prefeito de Mariana, que teme a redução de programas e atendimentos à sociedade.

Edição de Roberto Samora

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