15 de Janeiro de 2016 / às 17:28 / em 2 anos

Usiminas mantém plano de cortes de cerca de 4 mil empregados em Cubatão

SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas mantém plano de cortes de cerca de 4 mil postos de trabalho de sua usina siderúrgica em Cubatão, no litoral de São Paulo, e paralisar atividades de produção de aço da unidade, informou o sindicato de metalúrgicos da região nesta sexta-feira.

Após reunião de cinco horas na véspera, intermediada pelo Ministério Público, empresa e sindicato não chegaram a um acordo para evitar demissões e paralisação da produção de aço, informou o presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Rezende de Sá.

“A Usiminas trabalha só com a hipótese de demissão... A gente está buscando uma solução para a empresa manter as operações e não demitir”, disse Sá por telefone à Reuters.

Maior produtora de aços planos do Brasil em capacidade instalada, a Usiminas anunciou no fim de outubro que iria desativar temporariamente atividades de produção de aço da usina de Cubatão, mantendo as de laminação.

A empresa citou na ocasião o cenário de fraqueza da economia e a deterioração dos preços da liga nos mercados internacionais entre os motivos para a decisão. A parada vai exigir demissões de cerca de 2 mil funcionários diretos, disse a empresa nesta sexta-feira. Segundo o sindicato, o número sobe para perto de 4 mil incluindo os empregos indiretos.

“A empresa apresentou ao sindicato sua proposta final, um pacote de benefícios aos trabalhadores que excede o previsto em lei, mas o sindicato não aceita discutir as demissões”, informou um representante da companhia. “É impossível não demitir se a empresa vai desligar as áreas primárias.”

A oferta previa manutenção de planos de saúde e odontológico por 3 a 6 meses, prioridade na recontratação quando os equipamentos forem reativados e remanejamento interno de alguns profissionais para outras áreas da usina, além de cursos de recolocação profissional.

Às 15h18, as ações preferenciais da Usiminas tinham queda de 5,77 por cento, a 0,98 real, enquanto o Ibovespa tinha baixa de 3,28 por cento.

Na quarta-feira, a rival CSN decidiu parar o processo de demissão de funcionários de sua usina em Volta Redonda (RJ). A CSN demitiu 700 funcionários de um total de cerca de 3 mil que poderiam ser cortados segundo o sindicato local, mas não informou qual será o destino do alto-forno 2.

Segundo Sá, a Usiminas informou que as demissões em Cubatão vão ocorrer entre esta sexta-feira e 15 de março.

O presidente do sindicato afirmou que, após o fracasso da reunião da quinta-feira, a diretoria da entidade vai se reunir na segunda-feira para definir a estratégia a ser tomada.

“Não está descartada chamada para paralisação (dos trabalhadores). Vamos ver como podemos fazer uma resistência”, disse ele.

Após um problema que danificou equipamentos, o alto-forno da Usiminas em Cubatão que será parado completa nesta sexta-feira duas semanas sem produzir.

Apesar disso, a fábrica da Votorantim Cimentos na região, que consome escória da produção siderúrgica da Usiminas, deve manter sua operação até março, informou a companhia. A unidade manterá a produção de cimento por meio do consumo de escória estocada na fábrica, mas já está em processo de desmobilização para se tornar apenas centro de distribuição diante da futura desativação da produção da Usiminas.

Já a InterCement, que também tem fábrica na região que consome escória da Usiminas, informou que tem estoque do insumo suficiente para manter as operações “no médio prazo”, e que a produção não está sendo afetada pelo problema no alto-forno da siderúrgica.

Por Alberto Alerigi Jr.

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