19 de Janeiro de 2016 / às 17:13 / 2 anos atrás

Enquanto líderes se encontram em Davos, economias emergentes descem a ladeira rapidamente

DAVOS, Suíça (Reuters) - Mais de 1 trilhão de dólares em fluxos de investimentos já saíram dos mercados emergentes nos últimos 18 meses, mas o êxodo pode ainda não ter chegado nem na metade do caminho, com as outrora crescentes economias parecendo presas em um ciclo de baixo crescimento e investimento.

Embora as economias em desenvolvimento não desconheçam crises financeiras, com muitos catástrofes cambiais e de dívida infectando todos os mercados emergentes em ondas nas últimas décadas, os líderes do Fórum Econômico Mundial deste ano em Davos nos Alpes Suíços estão temerosos que este episódio seja muito difícil de superar.

Alimentado por temores de aperto do crédito nos Estados Unidos e de alta do dólar, e vindo junto com uma longa desaceleração da economia chinesa e uma implosão do super ciclo relacionado às commodities, há uma crescente ansiedade de que não haverá uma recuperação acentuada ao fim deste momento difícil para recompensar os investidores que enfrentaram os piores momentos.

“O cenário global e os motores para os mercados emergentes são bem diferentes dos de 2001”, disse o chefe de mercados emergentes do ICBC Standard Bank, David Spegel, se referindo ao momento em que Ásia, Brasil e Rússia estavam se recuperando das ondas da crise no fim dos anos 1990.

“Naquele momento, todas os astros estavam alinhados para a globalização e os mercados emergentes foram os mais beneficiados. Neste momento, nós não temos esses múltiplos catalisadores.”

O principal catalisador em 2001 foi, obviamente, a China. Sua entrada para a Organização Mundial do Comércio desencadeou uma década de exportações e investimentos milagrosos de uma década de duração, que impulsionou sua economia de sexta para a segunda maior do mundo.

Sua ascensão içou grande parte dos países em desenvolvimento, dos exportadores de soja e aço da América Latina aos industrializados da Ásia que se tornaram parte da gigantesca cadeia de fornecimento industrial. Mas sua desaceleração está atingindo esses países com a mesma intensidade.

O crescimento do comércio global provavelmente foi mais lento do que o da economia mundial pelo quarto ano consecutivo em 2015, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso contrasta com as décadas anteriores, quando o comércio se expandiu pelo menos duas vezes mais rápido que o crescimento mundial.

A conclusão sombria a que alguns estão chegando é que possivelmente o efeito da mudança da China foi único, e agora esses efeitos estão se dissipando para sempre.

“Em vez de esperar que os mercados emergentes possam reverter para os anos dourados de 2002-2007, há um risco de que, em termos de comércio, estamos revertendo para o ambiente de 1980”, disse o estrategista do UBS Manik Narain.

Uma característica dos “anos dourados” foi a extraordinária quantidade de capital que inundou o mundo em desenvolvimento; de acordo com o Institute of International Finance (IIF), em Washington, as entradas líquidas de 2001-2011 totalizaram quase 3 trilhões de dólares.

Mas parte desse montante está começando a fazer o caminho inverso. No ano passado houve a primeira saída líquida de capitais desde 1988, uma perda de 540 bilhões de dólares, disse o IIF, que prevê que os recursos continuarão saindo dos mercados emergentes em 2016.

Outros analistas, como JPMorgan, calculam que quase um trilhão de dólares fugiram apenas da China desde meados de 2014. Somente as reservas internacionais do banco central chinês recuaram em mais de 500 bilhões dólares no ano passado.

Os resgates dos fundos de ações e dívida de emergentes atingiram a cifra recorde de 60 bilhões de dólares no ano passado, de acordo com a EPFR Global.

O diretor-executivo do IIF, Hung Tran, disse que os problemas dos mercados emergentes não são apenas externos. Essas economias devem superar um problema interno chave: a queda da produtividade.

“A produtividade vantajosa dos mercados emergentes, que é fundamental para atrair fluxos de capital e investimento, entrou em colapso”, disse Tran. “Há um ciclo de diminuição dos retornos sobre o investimento.”

Mas existem alguns pontos positivos, como a Índia e o México. Mas com o aumento dos temores sobre a China e o Brasil e Rússia em recessão pelo segundo ano consecutivo, muitos estão receosos de que os retornos dos investimentos não devem se recuperar no curto prazo.

O desempenho do mercado acionário dos emergentes tem ficado aquém dos países desenvolvidos nos últimos cinco anos, e os lucros empresariais encolheram por mais de quatro anos, calculou o Morgan Stanley.

Este é o declínio mais longo da história do índice de ações MSCI, disse o Morgan Stanley, ressaltando que o mais longo recuo dos lucros nessa classe de ativos foi após a crise de 1997 e durou dois anos.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below