15 de Fevereiro de 2016 / às 22:59 / 2 anos atrás

Nippon Steel participará de eventual aumento de capital na Usiminas se houver acordo, diz fonte

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo Nippon Steel está pronto para ajudar a Usiminas e participará de uma eventual operação de aumento de capital para reforçar as finanças da empresa se houver acordo com os demais sócios controladores da companhia, afirmou nesta segunda-feira uma fonte próxima da siderúrgica brasileira.

O consenso sobre um plano de recuperação da Usiminas, que busca refinanciamento de 4 bilhões de reais junto a bancos, porém, não deve ser alcançado até a próxima divulgação de resultados da empresa, marcada para a próxima quinta-feira, disse a fonte.

"Os japoneses estão sempre prontos a ajudar (...) a Nippon Steel se sente responsável pela Usiminas e está disposta a dar apoio", disse a fonte, acrescentando que a estratégia para levantamento de recursos pela empresa não está acertada.

"Dinheiro pode entrar através de venda de ativos, capitalização, empréstimo entre companhias (intercompany loan). A venda da Usiminas Mecânica é um caminho. A solução da Usiminas passa por um conjunto de medidas que os acionistas estão conversando", acrescentou a fonte.

Nesta segunda-feira, a Usiminas informou que contratou o Credit Suisse em novembro passado como assessor financeiro para venda de parte ou da totalidade da Usiminas Mecânica.

Segundo a fonte, ainda não está claro quando a venda da unidade poderia ocorrer, mas o valor que poder ser obtido com a alienação de toda a empresa de bens de capital da Usiminas pode ficar entre 300 milhões e 700 milhões de reais. A companhia vendeu a unidade de produção de cabines de caminhões Automotiva Usiminas por 210 milhões de reais para a mineira Aethra Sistemas em 2013.

Em 2015, até o terceiro trimestre, a Usiminas Mecânica acumulou receita de cerca de 658 milhões de reais. A carteira de pedidos caiu de 700 milhões de reais ao final de julho para 500 milhões no fim de setembro.

Na semana passada, fontes com conhecimento do assunto afirmaram que os desentendimentos entre Nippon Steel e o grupo Techint estão dificultando o levantamento de capital pela Usiminas. Uma das fontes afirmou, no entanto, que Techint e Nippon Steel prometeram aos bancos credores uma resposta sobre o aumento de capital em 17 de fevereiro, um dia antes da publicação dos resultados do quarto trimestre.

Sobre um eventual apoio do governo de Minas Gerais através do banco de desenvolvimento estadual BDMG, a fonte afirmou que trata-se de difícil possibilidade diante da situação financeira do Estado.

Mais cedo nesta segunda-feira, o jornal mineiro O Tempo publicou entrevista com o presidente da Companhia de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (Codemig) e ex-presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, que afirma que o governo do Estado vem desde o ano passado tentando mediar um acordo entre Techint e Nippon Steel. Na entrevista, segundo o jornal, o executivo comentou sobre possibilidade de acordos fiscais mediados pela Fazenda estadual, além da criação de uma linha de crédito via BDMG.

Procurada, a Codemig não confirmou de imediato os comentários de seu presidente ao jornal. Usiminas, Nippon Steel e Techint não comentaram o assunto.

A média de projeções de analistas compilada pela Reuters indica que a Usiminas deve divulgar na quinta-feira prejuízo líquido de 464 milhões de reais relativo ao quarto trimestre ante resultado negativo um ano antes de 117 milhões.

"O problema da Usiminas não é de gestão, é problema de mercado. Podia estar o melhor executivo do mundo (na Usiminas) que a empresa ainda estaria sofrendo", afirmou a fonte.

A companhia praticamente concluiu neste mês processo de demissões de cerca de 1.800 funcionários de sua usina em Cubatão (SP) por conta da decisão tomada no final do ano passado de parada de produção de aço na unidade.

A parada de produção de aço em Cubatão pode aliviar a estrutura de custos da empresa no futuro, mas colocar pressão adicional sobre as finanças da empresa no curto prazo, afirmou a agência de classificação de risco Fitch no mês passado.

Na semana passada, uma fonte próxima do assunto afirmou que é improvável que a Techint, que foi afastada da operação diária da Usiminas em setembro de 2014, injete capital adicional na siderúrgica sem uma reforma no acordo de acionistas da companhia.

"A Techint ficar dizendo que não vai colocar dinheiro na Usiminas atrapalha bastante a conversa com os bancos", disse a fonte próxima da companhia nesta segunda-feira. "A Ternium iria perder o dinheiro investido até agora por causa de recusa em participar de uma capitalização?", questionou.

Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

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