18 de Fevereiro de 2016 / às 19:34 / um ano atrás

EXCLUSIVO-Renova Energia deve adiar usinas em meio a crise de liquidez; pode vender ativos

SÃO PAULO (Reuters) - A Renova Energia, controlada da Cemig que investe em geração renovável, deve adiar a entrega de parques eólicos e pode até mesmo vender usinas em meio a uma crise de liquidez disparada após a norte-americana SunEdison desistir de uma operação que injetaria 13,8 bilhões de reais na empresa, afirmaram executivos à Reuters nesta quinta-feira.

A Renova, com quase 2 gigawatts de projetos eólicos e solares já contratados para serem implementados até 2019, precisaria investir cerca de 10 bilhões de reais nos empreendimentos caso fosse cumprir os cronogramas originais, o que é visto como pouco viável pelos executivos diante do atual cenário econômico do Brasil, com juros elevados e crédito restrito.

"Na parte de projetos, a gente está revisando... a gente está rediscutindo praticamente todos... dado que vamos precisar de um ritmo diferente (de implementação). O momento é de arrumação, 2016 é o ano de freio de arrumação", afirmou o presidente da companhia, Carlos Waack.

O diretor-financeiro, Cristiano de Barros, disse que a situação é reflexo do cancelamento da venda de ativos para a SunEdison.

"Se a gente tivesse concluído a operação e recebido os recursos como planejado... estaríamos com nosso caixa equacionado, sem nenhuma pressão de liquidez como a que vivemos hoje", disse Barros.

Em meio à falta de liquidez, a Renova anunciou no início do mês uma operação de aumento de capital de até 731,25 milhões de reais, sendo que a Cemig já garantiu que injetará até 240 milhões de reais na empresa.

Os recursos serão utilizados principalmente para reduzir dívidas da holding, disse Barros. Caso a operação não tenha sucesso, a empresa deverá estudar a venda de usinas em operação.

"A empresa tem que fazer seu ajuste financeiro em termos de dívida... seja via capital, seja via até venda de algum ativo", disse Barros.

O executivo comentou que a Renova poderia colocar no mercado projetos prontos, como as 15 usinas do complexo Alto Serão II, de 386 megawatts, ou pequenas centrais hidrelétricas, para manter o foco em usinas eólicas e solares, consideradas o negócio principal da companhia.

"Se tiver que vender, a gente vai vender alguma coisa muito pequena... nossa preocupação é com a dívida".

REVISÕES DE CRONOGRAMA

O presidente da Renova adiantou que a empresa renegocia o prazo de conclusão de usinas que venderiam energia no mercado livre de eletricidade, o que envolveria a compra de energia de outros agentes para honrar os compromissos assumidos com os clientes.

"Todos contratos livres estamos olhando... se eu fizer isso para (adiar por) três anos, por exemplo, posso comprar essa energia, entregar e atrasar esse tempo, inclusive gerando valor para a companhia", afirmou Waack.

Segundo ele, os atuais preços dos contratos no mercado livre de eletricidade, baixos devido às boas chuvas e à demanda em desaceleração, tornariam a operação favorável.

A Renova possui 653 megawatts em projetos a serem implementados para entrega de energia no mercado livre, a maior parte assinados com Cemig e Light, que são acionistas da companhia, o que deve facilitar uma negociação.

"Todo contrato de mercado livre a gente está olhando... a gente está rediscutindo praticamente todos", disse Waack.

A Renova também irá procurar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para alterar o cronograma de suas usinas que venderam energia no mercado regulado e precisam iniciar operação nos próximos anos.

O objetivo é focar apenas na conclusão da usina Alto Sertão III, na Bahia, com 455 megawatts, cujas obras já estão em andamento, e suspender o início dos demais parques, afirmou o diretor financeiro.

"Não dá, no momento atual, para iniciar (obras) sem ter recursos equacionados".

Ele disse que parte dessas usinas enfrentaria problemas para escoar a energia se ficassem prontas hoje, devido a atrasos em linhas de transmissão.

Além disso, Barros acredita que a atual sobrecontratação de energia das distribuidoras, devido à redução do consumo, facilitaria uma negociação para adiar os projetos.

"(Mas) se precisar, podemos entregar para as distribuidoras, pelos preços que temos, ou até menores, outros contratos de longo prazo ou até (energia de) usinas nossas que já estão prontas".

A Renova também discutirá com a SunEdison, com quem possui uma joint venture para investimentos em usinas solares, o futuro de empreendimentos que a companhia garantiu em leilão e precisa implementar até 2017.

O presidente destacou que o desembolso para essas usinas acontecerá somente no próximo ano, o que dá mais tempo para a negociação.

"A gente está discutindo com eles, está em estágio mais inicial", disse Waack.

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