March 8, 2016 / 7:24 PM / in 3 years

WEG reduz custo de turbina eólica e aposta no mercado externo

SÃO PAULO (Reuters) - A catarinense WEG tem buscado reduzir o custo de produção da unidade de turbinas eólicas, que ficou mais competitiva com a ajuda do real desvalorizado, a fim de que possa se tornar plataforma de exportações, conforme a recessão no Brasil cria dúvidas sobre a demanda por equipamentos nos próximos anos, disse um diretor da empresa à Reuters.

“Não vou me atrever a dizer que estamos mais baratos que a China, não é o caso. Agora, acredito que à medida que o Brasil se profissionaliza, aumenta sua produtividade na cadeia eólica, com essa situação de câmbio nós temos condição de competir”, disse o diretor de energia eólica da empresa, João Paulo Gualberto.

Ele disse que somente neste ano a companhia cortou em 3,5 por cento o custo do aerogerador, devido a iniciativas voltadas a elevar as margens de lucro no segmento.

Com isso, ele avalia que as máquinas produzidas no Brasil podem já estar mais baratas que as originadas nos Estados Unidos ou Europa, o que favoreceria exportações para mercados próximos, como as Américas e a África.

“Não estaria limitado a esses mercados, mas eles são as melhores oportunidades para fabricantes de aerogeradores e subcomponentes instalados no Brasil”, apontou.

O mercado externo poderia ser uma saída para manter a atividade nas fábricas eólicas em um cenário de menor expansão da capacidade do Brasil nos próximos anos, devido à redução da demanda por energia.

Gualberto disse que a WEG já soma 700 megawatts em turbinas eólicas vendidas, o que garantirá a plena ocupação de sua fábrica até meados de 2018, quando seriam necessários novos pedidos.

A dúvida é justamente quanto ao ritmo de realização dos próximos leilões de energia pelo governo federal.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse na semana passada que deverão ser realizados diversos certames neste ano, mesmo com a demanda em baixa.

Embora Tolmasquim não tenha adiantado números sobre a contratação, a sinalização animou o executivo da WEG, que defende a manutenção de um ritmo mínimo de contratação de novas usinas.

“O governo tem que olhar para o setor eólico com visão estratégica. É importante que a gente mantenha a cadeia produtiva viva nesse período de crise, em que a gente está começando a pensar em exportar...que não mate a cadeia em função de um ou dois anos de contratação ruim”, disse Gualberto.

No momento, segundo ele, quase não há empresas buscando aerogeradores no mercado— praticamente todos parques viabilizados em leilões nos últimos anos já fecharam contratos de fornecimento.

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