6 de Abril de 2016 / às 21:59 / um ano atrás

Vazamento contínuo de barragem da Samarco pode atrapalhar retomada da mineradora

Destroços de uma escola no distrito de Bento Rodrigues após rompimento de barragem de rejeitos da Samarco, em Mariana 10/11/2015Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As dificuldades da mineradora Samarco em encontrar uma solução para estancar o vazamento de rejeitos de minério da barragem de Fundão, em Mariana (MG), cinco meses após o colapso da estrutura, ameaçam os planos da empresa de voltar a operar ainda neste ano.

A autoridade ambiental de Minas Gerais avalia que a Samarco deverá encontrar uma solução para o problema nos próximos meses, mas ressaltou que a licença para a retomada das operações da empresa só será efetivamente liberada após o vazamento ser estancado.

As controladoras da Samarco, a Vale e a BHP Billiton, esperam que a mineradora volte a operar para gerar receita e arcar com os custos de indenizações bilionárias acertadas com o governo federal, como reparações pelo vazamento, considerado o maior desastre ambiental do Brasil.

Com o rompimento da barragem, em 5 de novembro, cerca de 30 milhões de metros cúbicos (m³) foram despejados de Fundão, destruindo comunidades e poluindo rios e o litoral do Espírito Santo. Dezoito pessoas morreram e uma pessoa ainda está desaparecida.

Segundo dados do Ibama, após boa parte dos rejeitos de mineração escoar da barragem logo após o rompimento da barragem, a lama continuou vazando, em proporções menores mas contínuas nos últimos meses, em maiores volumes dependendo das chuvas que atingiram a região.

O órgão ambiental estima que cerca de metade dos 24 milhões de m³ que restaram no reservatório após o incidente acabou vazando nos últimos meses, sendo que aproximadamente 8 milhões encontraram caminhos no meio ambiente.

Para conter o vazamento, a Samarco criou um plano provisório com a construção de diques que retêm os resíduos da barragem de rejeitos de minério de ferro, mas que não estão sendo suficientes, segundo a coordenadora-geral de emergências do Ibama, Fernanda Pirillo.

Três de quatro diques previstos já foram construídos, sendo que os dois primeiros, de 16 mil m³ e 45 mil m³ de capacidade, já encheram e estão inoperantes. Um terceiro dique, com capacidade para reter até 2 milhões de m³, está em operação.

"Dá para ver pelo somatório de volumes dos diques que essa é uma solução provisória, a Samarco ainda está buscando junto aos órgãos licenciadores as soluções definitivas", disse Fernanda.

"Quando ela (a lama) passa pelo dique S3 (o terceiro dique)ele retém o material mais pesado, mas deixa passar a água com volume de turbidez superior ao recomendado pela legislação."

O Ibama acompanha o vazamento devido a poluição do Rio Doce, mas não tem competência para permitir o retorno da empresa.

Para voltar a operar, a Samarco precisa de autorizações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

A empresa já deu entrada nos pedidos de licença ambiental na Semad para a utilização de duas cavas para receber rejeitos em uma retomada de operação, que a empresa estima que ocorra no último trimestre do ano.

Segundo o subsecretário de Gestão e Regularização Ambiental Integrada da Semad, Geraldo Abreu, as análises dos documentos para a retomada da Samarco não levarão menos que seis meses.

"É claro que nesse tempo eles já terão, sim, encontrado uma solução para que o material pare de carrear para o rio. Quanto a isso eu não tenho dúvida, a licença não sai antes disso", afirmou Abreu, nesta quarta-feira, à Reuters.

O Ministério Público de Minas Gerais entrou com uma ação civil pública na Justiça Estadual nesta semana, pedindo que a empresa interrompa o vazamento de lama que "continua a poluir o meio ambiente" e que a empresa seja impedida de operar no local "até que seja demonstrada em Juízo a completa estabilização dos impactos ambientais".

A assessoria de imprensa da Samarco afirmou à Reuters que as soluções provisórias encontradas pela companhia estão dentro das normas ambientais e que uma solução definitiva está em estudo.

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