7 de Abril de 2016 / às 17:36 / em 2 anos

Governo avalia rever parâmetros do preço spot de energia; pede estudo

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), formado por autoridades do governo federal e instituições setoriais, decidiu em sua reunião de março pedir uma avaliação sobre parâmetros de cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), ou preço spot, utilizado no mercado de curto prazo de energia, segundo ata divulgada nesta quinta-feira.

Com isso, será estudada eventual alteração na metodologia CVaR, introduzida na formação dos preços spot em 2013 com objetivo de elevar a segurança do fornecimento de energia do país, por meio da antecipação da geração termelétrica.

A CVaR representa o uso de cenários mais pessimistas de hidrologia para calcular os preços --ou, em outras palavras, um sistema elétrico mais avesso ao risco de falta de energia, o que resultou à época em uma elevação do PLD médio calculado após sua adoção.

“O Comitê decidiu que é necessária uma avaliação... dos parâmetros da metodologia CVaR utilizados nos modelos de simulação da operação energética de forma a verificar se a solução de equilíbrio entre custos operacionais e segurança energética continua adequada”, aponta a ata do encontro, realizado em 2 de março.

Os estudos sobre eventual mudança dos parâmetros serão conduzidos por um órgão do Ministério de Minas e Energia, a Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP). A ata da reunião não deixou claro se há prazo para a conclusão dos estudos.

O gerente de Regulação da consultoria Safira Energia, Fábio Cuberos, disse que, dependendo da alteração feita no modelo, poderia haver um viés de que o PLD passe a ser mais alto ou mais baixo.

“Não sabemos os parâmetros que eles podem adotar... pode subir (os preços), ou pode trazer para baixo, até”, afirmou.

Nas últimas semanas, especialistas de comercializadoras de eletricidade vinham especulando que essas alterações na fórmula dos preços poderiam ser anunciadas em breve.

Segundo Cuberos, há um temor entre operadores de que uma eventual mudança leve em conta “questões mais políticas do que técnicas”, o que poderia ser interpretado pelo mercado como uma interferência nos preços.

Uma fonte de instituição do setor com cadeira no CMSE confirmou à Reuters, sob a condição de anonimato, que o assunto tem esquentado os ânimos do mercado de energia.

“Existe, sim, uma especulação de mercado, as pessoas perguntando... o mercado todo está nervoso”, disse.

Segundo essa fonte, o sistema elétrico do país passou por diversas mudanças recentes, como um aumento da oferta, a expansão de usinas cuja geração é mais imprevisível, como as eólicas, e a recente redução abrupta da carga, puxada pela recessão e pela forte elevação das tarifas em 2015.

Com isso, poderia haver uma justificativa técnica para se alterar o modelo de cálculo dos preços.

“Aumentou a oferta e reduziu o mercado, você criou uma sobra artificial, praticamente... em compensação, não se conseguiu recuperar (o suficiente) o nível dos reservatórios... isso pode justificar que em algum momento se decida reavaliar os parâmetros, mas não tenho conhecimento de que já tenha sido decidido algo”, disse a fonte.

Por Luciano Costa

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