8 de Abril de 2016 / às 20:27 / um ano atrás

Fundos de ações devem seguir atrás do Ibovespa com caixa alto e exposição baixa a ações do rali

SÃO PAULO (Reuters) - Fundos de ações no Brasil devem continuar apresentando desempenho mais fraco em relação ao Ibovespa no curto prazo em razão de elevadas posições de caixa e exposição reduzida aos papéis que mais se valorizaram neste ano, dado o ambiente de incertezas nos cenários político e econômico do país.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), fundos de ações indexados e de índice ativo tiveram em março rentabilidade de 15,57 e de 11,45 por cento, respectivamente, enquanto o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, valorizou-se 17 por cento.

Entre os fundos que não seguem o Ibovespa, a categoria de small caps apurou rentabilidade de apenas 5,43 por cento no mês passado e a de fundos de ações livres, de 7,28 por cento. O pior resultado veio dos fundos de ações no exterior, com alta de 1,54 por cento.

O cenário político nebuloso, a falta de perspectivas positivas para a economia, os resultados corporativos ainda fracos e o comportamento binário do mercado acionário estão entre os fatores que têm inibido gestores locais a elevarem exposição na Bovespa.

Para o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management, o ambiente para os fundos de ações está muito difícil dadas as incertezas atreladas principalmente ao quadro político.

“Qualquer aposta hoje no mercado está muito assimétrica. O desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pode levar a bolsa muito pra cima ou muito pra baixo, não tem meio termo, pelo menos em um primeiro momento.”

De acordo com Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula a indústria de fundos, são considerados fundos de ações aqueles que possuem, no mínimo, 67 por cento da carteira em ações.

Alguns gestores consultados pela Reuters revelaram que estão trabalhando com posições de caixa entre 20 e 30 por cento, ou seja, perto do limite máximo. Transpondo esses percentuais para os fundos de ações analisados pela Anbima com patrimônio líquido acima de 500 milhões de reais, haveria entre 16,3 bilhões e 24,5 bilhões de reais no fim de março no caixa dos fundos.

Notícias favoráveis à troca de governo do país têm, de modo geral, reforçado movimentos de alta na bolsa paulista, impulsionando os chamados papéis de beta elevado, enquanto o inverso ocorre com eventos que indiquem dificuldade nesse processo ou continuidade da atual administração federal.

Em março, papéis de empresas como Petrobras e Usiminas, que têm avaliações negativas por analistas setoriais no que diz respeito a fundamentos, figuraram entre as maiores apreciações no Ibovespa.

As preferenciais da Petrobras contabilizaram ganho de mais de 60 por cento, enquanto Usiminas saltou mais de 100 por cento.

“As maiores altas do ano são ações que poucos têm e que são em boa parte consideradas ‘junks’, ou seja, empresas com endividamento alto, que destroem valor”, disse o gestor Marcello Paixão, da gestora de recursos Constancia NP.

Segundo ele, a alta local foi sustentada por fluxo de estrangeiro, que comprou principalmente fundos de índice (ETF), estimulado também por fatores externos, como postergação de nova alta de juros nos Estados Unidos.

Alguns desses ETFs são lastreados em ações do Ibovespa e, conforme há demanda por investidores, a gestora que administra os fundos compra as ações, no caso do Ibovespa, para emitir mais ETFs.

A forte valorização na bolsa paulista também deixou caras ações de companhias que tinham fundamentos bem avaliados entre analistas e gestores, o que inibiu o aumento de exposição e corroborou embolso de lucros, refletindo na alta das posições de caixa dos fundos de ações.

“Por mais pessimista que se pudesse estar com a economia, havia ações de certas empresas que vinham convergindo para um preço razoável, que fazia sentido comprar e esperar dois ou três anos”, disse o sócio de uma relevante gestora do Rio de Janeiro, que falou sob condição de anonimato.

“Mas, com o rali recente, alguns papéis subiram 30, 40 por cento, sem ligação com fundamentos, que têm se deteriorado. Nesse ambiente, o bom senso é não correr risco demasiado, com nível elevado de caixa, para o bem e para mal”, acrescentou.

A posição de caixa elevada reduz ganhos potenciais de fundos, mas também atenua potenciais perdas. No mês janeiro, por exemplo, quando o Ibovespa caiu 6,79 por cento, os fundos de ações registraram quedas inferiores.

“Investidores como nós, que não trabalham com fundos indexados ao Ibovespa, estão com exposição baixa e caixa elevado”, disse o gestor que pediu para não ter o nome citado.

No acumulado do primeiro trimestre, o Ibovespa acumulou ganho de 15,47 por cento.

Veja abaixo a tabela de rentabilidade dos fundos de ações com patrimônio líquido acima de 500 milhões de reais em março e no acumulado do primeiro trimestre, disponibilizada pela Anbima.

Tipos de fundos Rentabilidade %

Março 1º tri

Ações Indexados 15,57 13,83

Ações Índice Ativo 11,45 10,58

Ações Valor / Crescimento 8,27 8,61

Ações Small Caps 5,43 4,86

Ações Dividendos 8,50 8,71

Ações Sustentabilidade / Governança 7,98 4,65

Ações Livre 7,28 6,76

Ações Investimento no Exterior 1,54 -1,76

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