15 de Abril de 2016 / às 18:01 / em 2 anos

ENTREVISTA-Milho caro zera margens operacionais de frangos e suínos da Aurora

SÃO PAULO (Reuters) - A Cooperativa Central Aurora, uma das maiores produtoras de aves e suínos do país, enfrenta margens operacionais zeradas ou até “ligeiramente no vermelho” neste momento de escassez de milho no mercado doméstico e de preços elevados da principal matéria-prima da ração animal.

A Aurora, que compete no setor de aves e suínos com BRF e JBS, compra 1,5 milhão de toneladas de milho por ano para abastecer as operações e dezenas de milhares de cooperados que se espalham pela região Sul do país.

Após meses de intensas exportações de milho, o país viu seus estoques enxugados, causando dificuldades para indústrias consumidoras. A solução nas últimas semanas, com agricultores segurando vendas da colheita de verão, tem sido a importação de milho da Argentina e do Paraguai.

“Mas as importações ainda vêm em custo elevado, porque foram consolidadas algumas semanas atrás (com um dólar mais valorizado)... As margens operacionais com milho nos atuais patamares acima de 45 reais por saca, realmente dificultam”, disse à Reuters o vice-presidente da Aurora, Neivor Canton.

“A margem operacional oscila entre o zero a zero e o ligeiramente vermelho”, disse.

Segundo ele, o valor pago pelo milho no oeste de Santa Catarina, onde está a maior parte das operações da Aurora, estaria acima de 50 reais se dependesse apenas da oferta escassa dos produtores brasileiros.

A expectativa é que a situação se normalize na virada do primeiro para o segundo semestre, quando começa a colheita da segunda safra de milho no Paraná e no Centro-Oestre --a chamada “safrinha”, que representa dois terços da produção anual do país.

“A gente espera que os preços caiam para 35 a 36 reais por saca, o que vai permitir a retomada das margens operacionais”, afirmou o executivo.

ARGENTINA E PARAGUAI

A Aurora, terceiro maior grupo agroindustrial do país, com receita total 7,7 bilhões de reais no ano passado, uniu-se a outros grandes compradores de milho, formando um “pool”, para importar milho da Argentina, revelou Canton.

Os navios estão chegando ao porto de Rio Grande (RS), disse ele, sem revelar detalhes sobre volumes.

“Já tem navio atracando na semana que vem. Na outra tem previsto mais. O suprimento não está folgado, mas somado aos estoques de que se dispõe, permite a manutenção das operações”, disse ele.

“Nosso suprimento até a chegada da nova safrinha brasileira está garantido, principalmente com o milho da Argentina e do Paraguai”, completou.

Pela proximidade geográfica, as importações de milho do Paraguai ocorrem pelo modal rodoviário.

Canton reafirmou estimativas que circulam no mercado de que o Brasil poderá importar cerca de 700 mil toneladas de milho antes da entrada da oferta da safrinha.

O executivo criticou as condições de mercado e a ausência de planejamento que levaram o Brasil, um grande produtor e um dos maiores exportadores globais de milho, a recorrer a outros países para garantir seu abastecimento.

“É uma demonstração de falta de planejamento jamais vista nas décadas recentes, onde um país que exportou exageradamente e não soube priorizar o suprimento interno. (Faltar milho) seria um desrespeito com a atividade econômica que hoje segura a balança comercial”, avaliou.

Caso não houvesse milho disponível nos países vizinhos, o vice-presidente da Aurora disse que poderia ter havido situações extremas.

“Teríamos visto práticas condenáveis, como o abate de animais (frangos) que não poderiam ser aproveitados pelo consumidor, ou planteis de matrizes (de suínos) precocemente abatidos, perdendo as fases produtivas”, disse.

Neste caso, poderia ter havido também uma momentânea oferta exagerada de proteína animal para os consumidores, mas com um grande aperto no médio prazo, inflacionando preços.

“O consumidor já está sendo penalizado (com repasse de custos), e seria muito mais”, afirmou.

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