15 de Abril de 2016 / às 20:32 / 2 anos atrás

Milho dos EUA será competitivo no Nordeste do Brasil com fim de tarifa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma eventual derrubada de tarifa para importações de milho de fora do Mercosul pode tornar o grão dos Estados Unidos efetivamente competitivo no mercado do Nordeste, fazendo frente às compras na Argentina em um momento de escassez do produto brasileiro, apontaram estimativas da consultoria INTL FCStone nesta sexta-feira.

A proposta de zerar o imposto de 10 por cento foi feita no início da semana pelo Ministério da Agricultura, numa tentativa de elevar a oferta do cereal no país, após meses de fortes exportações que tiveram impacto para as indústrias brasileiras de aves e suínos, obrigadas a pagar preços elevados pelo grão.

Como alternativa, as indústrias de todo o país estão importando milho da Argentina e do Paraguai, aproveitando uma maior oferta do grãos naqueles mercados e as isenções tarifárias do Mercosul.

Oferta competitiva de um outro mercado, como os Estados Unidos, os maiores exportadores mundiais, dará mais uma opção para os produtores carnes, que poderão elevar as importações para estimadas 1 milhão de toneladas em 2016, os maiores volumes importados pelo Brasil desde o ano 2000.

“O Nordeste como um todo é deficitário em milho. Esse preço de hoje (cobrado no mercado doméstico) é muito fora do normal”, destacou a analista de mercado Ana Luiza Lodi, da FCStone.

O preço solicitado por vendedores locais na região de Fortaleza (CE), está em 54 reais por saca (259 dólares por tonelada), uma alta de 56 por cento ante um ano atrás, estimou a analista.

Por outro lado, somando-se os preços do milho nos portos norte-americanos do Golfo do México, custos de embarque e uma estimativa conservadora de frete, a tonelada de grão poderia chegar ao porto de Fortaleza a cerca de 40 reais por saca (190 dólares por tonelada), já computando a isenção tarifária.

Para o presidente da Associação Cearense de Avicultura, João Jorge Reis, as aquisições de milho norte-americano vão ocorrer se “os Estados Unidos chegarem mais barato ainda” que o produto argentino, o que não é uma realidade no momento.

O atual preço hipotético do milho norte-americano no Brasil, de 44 reais (incluindo a tarifa de 10 por cento), está acima dos 41 reais de custo do milho argentino, segundo cotações de corretoras locais.

A situação pode mudar dentro de alguns dias. A expectativa é de que o pedido de redução da tarifa seja avaliado em reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex), da Câmara de Comércio Exterior (Camex), na próxima terça-feira.

O Gecex, formado em sua maioria por secretários-executivos dos ministérios, costuma avaliar pleitos menos polêmicos, em que não há controvérsia sobre sua aprovação.

Nesta semana, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou que seria um procedimento adequado zerar a tarifa de importação, considerando o mercado atual.

GRANDES IMPORTAÇÕES

O diretor da divisão de aves da Associação Brasileira de Proteína Anima, Ricardo Santin, estimou importações de cerca de 1 milhão de toneladas, com a maior parte sendo desembarcada no primeiro semestre, antes de o milho da segunda safra brasileira chegar ao mercado.

Ele ponderou, por outro lado, que o dólar mais fraco ante o real visto nos últimos dias poderá fazer reduzir o ímpeto das exportações brasileiras, diminuindo também a necessidade de importações.

Segundo ele, está chegando milho da Argentina ao Nordeste, mas a maior parte das importações deverá ter como destino a região Sul.

O vice-presidente da Cooperativa Central Aurora, a terceira maior agroindústria do país, Neivor Canton, disse nesta sexta que uma série de navios carregados com milho argentino estão agendados para descarregar no porto de Rio Grande (RS) na próxima semana.

DÚVIDAS SOBRE CLIMA

A janela de entrada de milho estrangeiro no país deverá ser fechada na virada de junho para julho, quando o Brasil irá colher uma segunda safra de milho ainda prevista em recorde, o que recuperaria todo o déficit de abastecimento do mercado doméstico.

Contudo, analistas alertam que os prognósticos climáticos não são positivos para o Centro-Oeste.

“Temos de ficar de olho neste clima para ‘safrinha’, principalmente para Goiás. Está complicada a situação por lá”, destacou o presidente da AGR Brasil, Pedro Dejneka.

Santin, da ABPA, afirmou que o setor está acompanhando a questão, e que as perdas verificadas até o momento não são suficientes para elevar a necessidade de importações.

Mas ele ressaltou que seria importante, dentro desse contexto de risco climático, que houvesse mais transparência sobre os negócios já fechados pelos exportadores, até para o setor de carnes ter ideia do quadro de oferta e demanda.

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