22 de Abril de 2016 / às 18:32 / em 2 anos

Produção da Petrobras em Campos atinge níveis de 2004; analistas desconfiam de meta

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O volume de petróleo produzido pela Petrobras na Bacia de Campos perdeu ainda mais relevância no total extraído no país em março, ao atingir níveis de 2004 e início de 2005, contribuindo para uma queda da extração no Brasil maior que a esperada por analistas.

Apesar de a empresa dizer que o recuo da produção é explicado por paradas para manutenção e confirmar a meta prevista para o ano, analistas levantam dúvidas sobre a capacidade de a companhia cumprir os volumes estimados para 2016.

A petroleira produziu no Brasil 1,94 milhão de barris de petróleo por dia em março, queda de 8 por cento em relação ao mesmo mês de 2015 e recuo de 3 por cento ante fevereiro, segundo dados publicados na quarta-feira.

Do volume produzido, 1,24 milhão de barris de petróleo por dia (bpd) foram na Bacia de Campos, queda de 18 por cento ante o mesmo mês do ano passado. O montante não era visto desde o fim de 2004 e início de 2005.

No primeiro trimestre foram extraídos 1,98 milhão de bpd no país, queda de 8 por cento ante o mesmo período do ano passado. Do volume total, 1,3 milhão foram extraídos da Bacia de Campos.

Excluindo a Bacia de Campos, a Petrobras produziu no mar, no acumulado deste ano, 496,9 mil bpd, enquanto a média de 2004 foi de 38,3 mil bpd, o que reforça a redução da importância da região, ainda a maior produtora do país.

Os baixos volumes acontecem apesar do crescente crescimento da produção do pré-sal, nas bacias de Campos e Santos, onde a estatal e suas sócias produziram 884 mil de bpd em março, alta de 1,2 por cento em relação ao mês anterior.

DÚVIDAS

A corretora Brasil Plural ponderou que o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco, devido a paradas para manutenção, mas destacou que o recuo observado foi pior que o esperado.

“Apesar de a companhia manter o ‘guidance’ de 2,145 milhões de bpd para o ano, estamos nos perguntando se essa queda na produção não tem motivos diferentes das paradas convencionais, principalmente levando em conta a redução recente no ‘capex’ e a queda na atividade do setor”, afirmou o Brasil Plural em relatório.

Segundo a corretora, a produção no primeiro trimestre caiu 6,5 por cento ante os três meses anteriores, enquanto a média histórica aponta para queda de até 3,5 por cento.

O Goldman Sachs destacou em relatório que a empresa terá que entregar um crescimento de 13,5 por cento na produção de petróleo no Brasil para atingir a meta neste ano. O banco também apontou como negativo o recuo da produção de Campos.

“Nós temos uma avaliação negativa dos níveis de produção de março... Notamos que continuamos a ver os riscos para o ‘guidance’ de produção de 2,7 milhões bpd de petróleo no Brasil da Petrobras para 2020”, disse o Goldman, no relatório.

Já o JP Morgan disse em nota a clientes que esperava “alguma melhora nos números, mas a produção diminuiu com as plataformas paradas para manutenção e o incêndio na Bacia de Campos”.

Apesar do trimestre fraco e das metas, o JP destacou acreditar que os investidores “provavelmente vão continuar precificando o papel pela evolução do cenário político”.

Para justificar a manutenção da meta para o ano, a Petrobras destacou na quarta-feira que as paradas para manutenção no ano representarão 2,5 por cento da produção média do ano, contra 5 por cento no primeiro trimestre.

Além disso, destacou a entrada em operação prevista das plataformas do tipo FPSO Cidade de Saquarema (Lula Central) e Cidade de Caraguatatuba (Lapa), ambas na Bacia de Santos.

Além de paradas programadas, contribuíram para a queda da produção de março manutenções corretivas na plataforma P-31, no campo de Albacora, e um incêndio na plataforma P-48, no campo de Caratinga, ambas na Bacia de Campos.

Por Marta Nogueira; reportagem adicional de Paula Arend Laier

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