17 de Maio de 2016 / às 21:52 / em 2 anos

State Grid quer fechar negócio com Abengoa no Brasil até junho; novo governo não muda planos

SÃO PAULO (Reuters) - A mudança de governo no Brasil, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, não interfere nas negociações da chinesa State Grid para uma eventual aquisição dos ativos da espanhola Abengoa no Brasil, afirmou a jornalistas nesta quinta-feira o vice-presidente da State Grid, Ramon Haddad.

A Abengoa, que passa por uma crise financeira, paralisou obras de cerca de 6 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil que estavam em diversas etapas de implementação e agora busca compradores para esses ativos e para linhas que possui já em operação para levantar recursos.

“A gente não percebe nenhum tipo de alteração em relação a nossa negociação... de fato, não influenciou esse processo... A gente está tentando ver se consegue cumprir o objetivo de fechar no meio de maio ou início do mês que vem. Para ter uma posição mais firme. Não é fecharmos (a aquisição), é o rumo da operação ser definido”, disse ele ao chegar em um evento em São Paulo.

Haddad disse que a State Grid, maior empresa de energia elétrica do mundo, tem como premissa para levar adiante a transação um perdão do governo e do órgão regulador a eventuais atrasos nas linhas que precisam ser construídas, além de uma extensão no prazo das concessões da Abengoa.

Essas alterações seriam necessárias para tornar o negócio viável sem que seja necessário elevar a receita anual das linhas que estão em negociação, o que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já afirmou que não será autorizado.

“Já que o governo sinalizou que não pode fazer uma alteração de receita, uma das premissas que a gente trabalha é postergação da entrada (em operação) e nulidade de qualquer penalidade (por atrasos). E uma postergação do contrato de concessão pelo prazo equivalente à demora advinda da negociação”, explicou Haddad.

Ele afirmou que a State Grid tem negociado diretamente com a Abengoa com foco em todos os ativos da empresa no país, o que seria uma aquisição “complexa”.

“É um pacote grande (de ativos) e um projeto muito complexo. Ainda estamos naquele ponto prévio à tomada de decisão. Nossa principal preocupação é em relação à valoração dos ativos da Abengoa”, disse Haddad, sem detalhar.

O executivo afirmou ainda que a State Grid chegou a pensar em fechar parcerias para fazer uma proposta pela Abengoa, mas hoje essa hipótese é menos provável, embora não totalmente descartada.

O governo conta com uma finalização rápida das tratativas entre as empresas e pelo fechamento de negócio para evitar atrasos maiores nos projetos da Abengoa, muitos deles vistos como vitais para o sistema elétrico do Brasil, como o linhão que escoará parte da energia de Belo Monte do Norte para o Nordeste do país.

DISTRIBUIDORA

A gigante chinesa também avalia a aquisição de uma distribuidora de energia privada para estrear nesse setor no Brasil, afirmou Haddad.

Segundo ele, essa pode ser uma alternativa além da compra de concessionárias estatais que venham a ser privatizadas, como a goiana Celg, da Eletrobras, cuja licitação está em fase de preparação.

“O mercado está falando aí em várias atividades. Estamos atentos. Não é nada muito concreto, mas estamos atentos, temos algumas prospecções”, afirmou Haddad, que ressaltou que uma eventual transação nesse sentido poderia envolver não apenas a compra integral de uma empresa, mas também a aquisição de uma fatia em alguma concessionária.

Por Luciano Costa

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