July 5, 2016 / 3:07 PM / in 2 years

CORREÇÃO - Indicados ao BC defendem intervenções pontuais no câmbio

(Corrige no 4º parágrafo que estoques de swaps tradicionais estão em torno de US$60 bi, e não R$60 bi)

BRASÍLIA (Reuters) - Intervenções pontuais do Banco Central no câmbio que sirvam para corrigir fortes distorções são práticas saudáveis desde que não alterem a trajetória da moeda, afirmou o indicado à diretoria de Política Monetária do BC, Reinaldo Le Grazie, que foi acompanhado no tema pelos demais indicados a postos de direção na autarquia em sabatina nesta terça-feira.

Falando na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Le Grazie defendeu que o BC utilize com parcimônia as ferramentas que dispõe, podendo reduzir suas exposições cambiais “em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições”.

Nesta sessão, o BC vendeu pelo terceiro dia consecutivo 10 mil swaps reversos, que equivalem à compra futura de dólares, retomando o instrumento após deixá-lo de lado por mais de um mês. Com isso, a moeda norte-americana BRBY avançava para perto de 3,30 reais, mas com os investidores entendendo que o BC não busca um patamar definido.

Com os leilões, o BC retomou o movimento de reduzir os estoques de swaps tradicionais —correspondentes à venda futura de dólares—, que estavam em torno de 100 bilhões de dólares no final do ano passado. Hoje, eles estão em cerca de 60 bilhões de dólares.

Também participando da sabatina, os indicados à diretoria de Assuntos Internacionais do BC, Tiago Couto Berriel; de Política Econômica, Carlos Viana de Carvalho; e de Relacionamento Institucional, Isaac Sidney Ferreira, defenderam o uso de instrumentos cambiais quando necessário.

“Intervenções no câmbio cumprem papel de tentar normalizar o funcionamento do mercado”, disse Viana. Ferreira, por sua vez, destacou que o Brasil não trabalha com meta de taxa de câmbio, mas que o BC deve atuar para conter as disfunções do mercado quando ocorrerem.

Os sabatinados reforçaram a importância do tripé macroeconômico, com inflação baixa e estável, e da implementação de reformas fiscais para a plena eficácia da política monetária.

Em sua fala, Ferreira também reiterou o compromisso destacado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, de levar a inflação para o centro da meta de 4,5 por cento em 2017.

Le Grazie acrescentou ainda ser “preciso que os riscos percebidos de a inflação ficar acima ou abaixo da meta sejam simétricos, ou seja, que a sociedade não associe o centro da banda ao piso da inflação”.

A CAE ainda precisa votar a indicação dos quatro nomes e, em seguida, passar pelo crivo do plenário do Senado.

Por Marcela Ayres

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