July 5, 2016 / 4:16 PM / 2 years ago

Indicados a diretoria do BC defendem intervenções pontuais no câmbio; CAE aprova nomes

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Intervenções pontuais do Banco Central no câmbio que sirvam para corrigir fortes distorções são práticas saudáveis desde que não alterem a trajetória da moeda, afirmou o indicado à diretoria de Política Monetária do BC, Reinaldo Le Grazie, que, junto com os demais indicados a postos de diração na autarquia, teve seu nome aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Falando em sabatina na comissão nesta terça-feira, Le Grazie defendeu que o BC utilize com parcimônia as ferramentas que dispõe, podendo reduzir suas exposições cambiais “em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições”.

Nesta sessão, o BC vendeu pelo terceiro dia consecutivo 10 mil swaps reversos, que equivalem à compra futura de dólares, retomando o instrumento após deixá-lo de lado por mais de um mês. Com isso, a moeda norte-americana avançava para perto de 3,30 reais, mas com os investidores entendendo que o BC não busca um patamar definido.

Com os leilões, o BC retomou o movimento de reduzir os estoques de swaps tradicionais —correspondentes à venda futura de dólares—, que estavam em torno de 100 bilhões de dólares no final do ano passado. Hoje, eles estão em cerca de 60 bilhões de dólares.

Também participando da sabatina, os indicados à diretoria de Assuntos Internacionais do BC, Tiago Couto Berriel; de Política Econômica, Carlos Viana de Carvalho; e de Relacionamento Institucional, Isaac Sidney Ferreira, defenderam o uso de instrumentos cambiais quando necessário.

“Intervenções no câmbio cumprem papel de tentar normalizar o funcionamento do mercado”, disse Viana. Ferreira, por sua vez, destacou que o Brasil não trabalha com meta de taxa de câmbio, mas que o BC deve atuar para conter as disfunções do mercado quando ocorrerem.

Os sabatinados reforçaram a importância do tripé macroeconômico, com inflação baixa e estável, e da implementação de reformas fiscais para a plena eficácia da política monetária.

Todos tiveram seus nomes aprovados na CAE, mas com placares diferentes: 22 votos a favor e 5 contra para Le Grazie; 24 x 3 para Berriel e Viana; e 25 x 2 para Ferreira. Agora, as indicações seguem para aprovação no plenário do Senado, em votação que deve ocorrer ainda nesta terça-feira após a CAE ter aprovado pedido de urgência neste sentido.

Em sua fala, Ferreira reiterou o compromisso destacado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, de levar a inflação para o centro da meta no ano que vem.

Le Grazie acrescentou ainda ser “preciso que os riscos percebidos de a inflação ficar acima ou abaixo da meta sejam simétricos, ou seja, que a sociedade não associe o centro da banda ao piso da inflação”.

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