26 de Julho de 2016 / às 19:37 / um ano atrás

DIs curtos sobem e mostram corte na Selic mais tarde após ata do Copom

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos de juros futuros mais curtos fecharam em alta nesta terça-feira e passaram a mostrar chances majoritárias de o Banco Central cortar a Selic mais tarde ainda, apenas em novembro, após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reiterar que não há espaço para afrouxamento monetário tão cedo.

Até a véspera, a curva de DIs mostrava chances divididas de corte em outubro ou novembro. O comunicado do Copom da semana passada já havia levado investidores a apostar que, se a redução viesse em outubro, seria de apenas 0,25 ponto percentual, menor do que o 0,50 ponto projetado até então.

Segundo operadores, as apostas indicadas pelos DIs agora são de que o ciclo de redução da Selic --em 14,25 por cento há um ano-- começará em 0,5 ponto percentual no último encontro do Copom de 2016.

"O BC tem sido muito incisivo em destacar os riscos à trajetória de queda da inflação, especialmente o fiscal", disse o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

No documento, elaborado com formato novo, o BC ressaltou o processo de ajuste fiscal como "um risco e uma oportunidade para o processo desinflacionário em curso", mesmo levando em conta que suas projeções pelo cenário de referência --com a Selic constante-- colocam a inflação no centro da meta de 4,5 por cento em 2017.

O BC afirmou também que, pelo cenário de mercado --com estimativas na pesquisa Focus de a Selic encerrar este ano a 13,25 por cento--, a inflação fica em 5,3 por cento no ano que vem, uma desinflação "em velocidade aquém da perseguida pelo Comitê".

"Por A+B, isso significa que o BC vai cortar menos os juros ao que aparece no Focus", acrescentou Petrassi.

A mediana das estimativas mais recentes na pesquisa Focus do BC, que consulta semanalmente uma centena de economistas, apontava que a Selic começaria a cair em outubro com corte de 0,50 ponto. O próximo encontro do Copom será no final de agosto.

Estrategistas do BNP Paribas usaram a ata como base para reiterar sua recomendação a clientes que apostem na alta dos DIs mais curtos e na queda dos vencimentos mais longos, afirmando que os níveis atuais de preço só fariam sentido em meio a um cenário de corte agressivo de juros neste ano --o que não parece ser o caso.

Nesse sentido, os DIs mais longos recuaram nesta sessão, refletindo expectativas de que a postura mais austera do BC no curto prazo permita mais quedas de juros no futuro, além da queda do dólar frente ao real.

Após a ata, analistas do Citi também passaram a ver cortes mais fortes mais à frente, de que os juros básicos chegarão ao fim de 2017 em 11,25 por cento, sobre 12 por cento antes. O banco manteve a projeção para início do corte em novembro, com redução de 0,50 ponto percentual.

A taxa do contrato para janeiro de 2017 subiu 0,03 ponto percentual, a 13,97 por cento. Já a taxa para janeiro de 2021 recuou 0,07 ponto percentual.

Reportagem adicional de Flavia Bohone

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