28 de Julho de 2016 / às 10:29 / em um ano

Vale lucra R$3,6 bi no 2º tri, queda de 30% sobre 2015 por provisão para Samarco

SÃO PAULO (Reuters) - A Vale, maior produtora global de minério de ferro, anunciou nesta quinta-feira um lucro líquido de 3,585 bilhões de reais, queda de 30 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado, impactado principalmente por uma provisão anunciada na véspera de 3,733 bilhões de reais relacionada ao rompimento de uma barragem da Samarco.

Sede da Vale, no Rio de Janeiro. 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares/File Photo

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou 8,341 bilhões de reais, alta de 22 por cento ante o mesmo período do ano passado, diante de maiores vendas de minério de ferro.

Na moeda norte-americana, o lucro líquido no segundo trimestre somou 1,106 bilhão de dólares, levemente acima do valor médio esperado por analistas, de cerca de 1 bilhão de dólares, de acordo com uma pesquisa realizada pela Reuters.

A Vale informou que a receita líquida totalizou 23,203 bilhões no segundo trimestre, alta de 8 por cento ante o mesmo período de 2015, em meio a maiores volumes de venda de finos de minério de ferro.

Segundo a companhia, o volume de minério de ferro (finos) vendido somou 72,678 milhões de toneladas, ante 67,230 milhões no mesmo período do ano passado.

A empresa afirmou que o preço realizado de finos de minério de ferro (CFR/FOB) atingiu 48,30 dólares/t no 2º trimestre, ante 50,44 dólares/t no mesmo período do ano passado, mas ficou acima dos 46,50 dólares/tonelada do primeiro trimestre.

SAMARCO

A provisão relacionada à Samarco, joint venture da Vale com a BHP Billiton que impactou o lucro líquido, foi anunciada em momento em que a empresa já “não consegue estimar com segurança o tempo e a forma com que as operações” na região de Mariana (MG) serão retomadas, devido a dificuldades no processo de licenciamento.

A Vale disse ainda que “a atual avaliação da Samarco aponta que a retomada das operações em 2016 é altamente improvável” --inicialmente esperava-se que a empresa voltasse a operar ainda este ano.

O desastre com a barragem de rejeitos da Samarco, no ano passado, provocou a morte de 19 pessoas, sendo considerado o pior desastre ambiental do país.

A Vale, Samarco e BHP firmaram um acordo bilionário com o governo para reparações, mas sua homologação está suspensa pela Justiça.

Mas a Vale explicou também nesta quinta-feira que, tendo em vista as dificuldades de caixa da Samarco, é provável que seus acionistas sejam chamados a cumprir com obrigações, e, portanto, a Vale estima contribuir em torno de 150 milhões de dólares para uma fundação neste semestre, que serão deduzidos do valor provisionado de 3,7 bilhões de reais.

Por Roberto Samora

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