28 de Julho de 2016 / às 17:06 / em um ano

Vale vê demanda firme por minério com estímulos do governo chinês

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os preços do minério de ferro deverão ficar acima dos 50 dólares por tonelada na China se a demanda pela commodity permanecer firme ao longo do segundo semestre, após estímulos à economia oferecidos por Pequim, afirmou nesta quinta-feira o diretor-executivo de Ferrosos da mineradora Vale, Peter Poppinga.

O executivo da maior produtora global de minério, matéria-prima do aço, destacou que estímulos ao crédito do governo chinês no gigante asiático para o crescimento de investimentos em infraestrutura “mudaram completamente o jogo em 2016”.

“Acho que nunca vi os estoques de aço tão baixos na China, mesmo com a produção recorde de junho e agora de julho, então isso significa que a demanda está muito forte”, afirmou Poppinga, durante teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados da empresa.

“Os estoques de minério de ferro estão altos nos portos, mas quando olha a cadeia toda na China, você vê que, em dias de consumo, os estoques são perfeitamente normais em termos de minério de ferro, em termos de aço são muito baixos.”

Poppinga ponderou que no segundo semestre há uma maior produção de minério por parte dos grandes produtores, já que a sazonalidade contribui, mas que o cenário pode ser favorável.

“Se a demanda continuar como ela está, firme, muito difícil da gente ter algum preço abaixo de 50 (dólares por tonelada)”, afirmou o executivo.

O minério de ferro para entrega imediata no porto de Tianjin foi cotado a 59,20 dólares por tonelada nesta quinta-feira, segundo o The Steel Index. No ano, o minério já subiu quase 40 por cento, mas está atualmente abaixo das máximas de 2016 de quase 70 dólares registrados em abril.

ESTRATÉGIA

Diante do cenário de preços pressionados por crescente oferta global, a empresa trabalha forte para reduzir custos, disse o presidente da companhia, Murilo Ferreira.

Segundo ele, a empresa teve o menor custo de sua história recente para o minério colocado na China, de 30,3 dólares por tonelada, incluindo despesas de capital, e planeja reduzir ainda mais.

“Evidentemente essa situação de volatilidade cambial nos prejudica muito, mas os esforços para a gente chegar nos 25 dólares serão imensos, vocês podem ter certeza que estamos vocacionados a chegar nesse número”, afirmou.

Poppinga destacou algumas iniciativas da Vale para reduzir custos e aumentar a competitividade de seu minério de ferro.

Segundo o executivo, a empresa reformulou completamente os planos de lavra e planeja aumentar para 70 por cento a parcela de minas que processam minério a seco em alguns anos, ante os atuais 40 por cento.

A redução do uso de barragens para rejeitos de minério de ferro vem em um momento em que autoridades brasileiras defendem banir a construção de barragens de rejeitos da atividade com o design utilizado pela Samarco, como na estrutura que se rompeu em novembro de 2015, causando 19 mortes.

“Estamos indo pela via mais a seco, onde vamos reduzir muito custo, e ao mesmo tempo o produto que será gerado, um pouquinho menos rico, que ainda é muito rico... não vai ser problema porque vai ‘blendar’ com Carajás em uma época em que você não precisa de muita produtividade”, afirmou Poppinga.

A empresa busca aumentar os prêmios pagos por seu blend de minério, com a entrada do maior projeto de minério de ferro da história, o Projeto Ferro Carajás S11D, no Pará, considerado um dos minérios mais concentrados do mundo.

A Vale também espera reduzir custos com a recente permissão da atracação de grandes navios mineraleiros em portos da China. O executivo destacou que novos navios Valemax estão chegando, permitindo transporte de maior capacidade e consumo menor de combustível.

Por Marta Nogueira

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