1 de Agosto de 2016 / às 20:12 / um ano atrás

Exportação de soja e milho do Brasil cairá pela metade em agosto, aponta escala de navios

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações do setor de grãos do Brasil deverão cair pela metade em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado, mostram dados de escalas de navios, em um momento em que tradings mostram-se mais interessadas em vender milho no mercado interno e com perda de competitividade da soja nacional.

A previsão de embarques de soja, milho e farelo de soja nos portos brasileiros em agosto é de 4,87 milhões de toneladas, ante uma escala que, um ano atrás, apontava embarques de 9,37 milhões de toneladas em agosto de 2015, segundo dados da agência marítima Williams compilados pela Reuters.

Soja e milho correspondem à imensa maioria dos volumes exportados. No caso do cereal, esta época do ano seria de aceleração dos embarques, mas os agendamentos têm sido fracos após uma quebra acentuada da segunda safra de milho 2015/16.

“É muito provável que o Brasil não se aproxime da marca (de exportações de milho) projetada pela Conab”, disse a analista da corretora Labhoro, Andrea de Sousa Cordeiro, referindo-se à previsão oficial do governo, de 22 milhões de toneladas.

Até o final de junho, o Brasil havia exportado 7,6 milhões de toneladas, de acordo com dados do setor privado.

Segundo ela, os preços aquecidos do milho no mercado interno têm levado muitas tradings a redirecionar para as indústrias locais algumas cargas que estavam destinadas para a exportação.

“Uma parte do que havia sido vendida foi trocada de origem”, disse ela, relatando operações em que determinados compradores na Ásia, por exemplo, vão ter seus contratos honrados recebendo milho dos Estados Unidos e não mais do Brasil. “A trading verificou a possibilidade de abastecer o mercado interno muito aquecido.”

Segundo o analista Luciano Marques, da corretora Gama, o milho para embarque no porto de Santos em agosto ou setembro está sendo cotado entre 35 e 36 reais por saca, enquanto algumas praças, no mercado interno, pagam 42 a 45 reais pelo grão à pronta entrega.

“Várias multinacionais estão trocando posições na exportação e vendendo milho no mercado interno”, destacou Marques.

Desde um pico no início do ano, o dólar já caiu mais de 20 por cento, enquanto o milho com vencimento setembro na bolsa de Chicago perdeu cerca de 25 por cento desde meados de junho. A combinação destes dois fatores torna os preços de exportação menos atrativos para os vendedores brasileiros.

SOJA

O mês de agosto já é habitualmente de desaceleração das exportações de soja, mas a escala para agosto --com uma queda anual de 47 por cento-- indica que as vendas externas vivem uma situação diferente da de 2015, ano em que o Brasil colheu a maior safra de sua história e embarcou um volume recorde, segundo dados da indústria.

Assim como o milho, os preços internacionais da soja também têm sofrido pressão, principalmente pela perspectiva de uma grande colheita nos Estados Unidos.

“Algumas tradings estão reduzindo seu programa de exportação”, disse um operador de trading internacional, que pediu para não ser identificado.

Segundo ele, que atua em compras no mercado gaúcho, está mais difícil obter soja para enviar ao porto de Rio Grande, por exemplo.

“Após a queda nos preços, a fixação por parte de produtores está muito devagar. Não estão vendendo nesses preços”, disse.

O melhor desempenho dos portos brasileiros, que conseguiram escoar volumes recordes em março, abril e maio, também fez com que os carregamentos disponíveis para o segundo semestre fossem minguados.

Na avaliação da Labhoro, acima de tudo, a soja brasileira está perdendo competitividade.

“A quebra de safra de soja motivou a aceleração dos prêmios (pagos nos portos) no Brasil. A quebra impactou diretamente num aumento do percentual de soja comercializada. Isso associado e a disputa pela soja disponível meses seguidos entre compradores, tradings e indústria tornou a soja brasileira muito mais cara que a soja norte-americana”, disse Andrea.

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