2 de Setembro de 2016 / às 00:12 / um ano atrás

Decisão da CTNBio frustra expectativa de importadores de milho do Brasil

(Texto atualizado com comentários do Ministério do Meio Ambiente)

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o uso no Brasil de uma variedade de milho transgênico da Monsanto comercializada nos Estados Unidos, mas deixou outras variedades em análise, frustrando indústrias de aves e suínos que contam com a importação do cereal para arrefecer os preços do produto no Brasil.

Segundo a comissão, o milho geneticamente modificado MON 87411, resistente a insetos e tolerante ao herbicida glifosato, foi liberado em uma reunião plenária.

Contudo, ainda estão sob análise outras duas variedades de milho da Monsanto e uma da Syngenta. Uma avaliação final deverá ocorrer em reunião em outubro, informou a CTNBio.

Indústrias consumidoras contavam com a liberação de todas as variedades para buscar milho no exterior e tentar reduzir os preços do cereal, que bateram recordes nos últimos meses no mercado brasileiro.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), como não existe uma segregação na hora da colheita e da armazenagem, fica impossível importar grãos apenas da variedade aprovada.

“Para efeito prático, a liberação de uma variedade não refresca nada. O vendedor nos EUA não consegue garantir a rastreabilidade. Esse milho está todo misturado”, disse à Reuters o diretor de Relações Institucionais da ABPA, Ariel Mendes.

O Brasil já planta em larga escala milho transgênico, com tecnologia das empresas analisadas, mas a liberação da importação do produto norte-americano é necessária porque tratam-se de eventos genéticos ainda não avaliados pelo órgão de biossegurança nacional.

Segundo a associação, parte das análises foi represada por pedido de vistas apresentado na reunião desta quinta por técnicos do Ministério do Meio Ambiente.

“A medida dos representantes do Ministério do Meio Ambiente retarda uma importante solução, deixando os consumidores à mercê de preços cada vez mais elevados, piorando a situação das empresas que provavelmente continuarão a reduzir gradativamente a produção, impactando na manutenção de empregos do setor e na oferta de alimentos para o país”, disse em nota o presidente da ABPA, Francisco Turra.

Apesar do pedido de vistas do ministério do Meio Ambiente, a entrada de milho transgênico dos EUA é amplamente defendida pelo Ministério da Agricultura.

Uma fonte graduada do setor de aves e suínos disse à Reuters recentemente que as indústrias contam com o acesso efetivo ao milho dos EUA apenas em 2017. Uma liberação imediata pela CTNBio teria o efeito de sinalizar aos vendedores domésticos que haverá uma concorrência no futuro, potencialmente reduzindo os preços imediatamente. A liberação também poderia agilizar e dar segurança jurídica para contratos de importação, segundo a fonte.

Em uma análise recente, o Cepea, centro de pesquisas ligado à Universidade de São Paulo (USP), ressaltou que “as incertezas quanto à disponibilidade interna de milho nos próximos meses têm tornado os níveis de preços bastante sensíveis a quaisquer informações e possibilidade de mudança”, ressaltando que havia grande expectativa no mercado sobre o parecer da CTNBio nesta quinta-feira.

Questionado, o Ministério do Meio Ambiente disse que não irá finalizar o pedido de vistas, já que o mandato de seu representante na CTNBio se encerrará antes da próxima reunião da comissão.

“O pedido de vistas está agora com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, da Casa Civil”, informou a pasta.

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