5 de Setembro de 2016 / às 20:22 / em um ano

Dólar tem 3ª alta seguida sobre o real, com cautela em pregão de liquidez estreita

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta sobre o real nesta segunda-feira, terceira sessão seguida de valorização, com investidores preferindo a cautela diante do contexto político ainda conturbado no Brasil e em meio à liquidez reduzida nos mercados globais devido ao feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

Notas de dólares dos Estados Unidos são retratados em foto tirada em Westminster, no Colorado 03/11/2009 REUTERS/Rick Wilking/File Photo

O dólar avançou 0,88 por cento, a 3,2821 reais na venda, depois de oscilar entre a mínima de 3,2474 reais e a máxima de 3,2841 reais no dia.

Em três pregões, o ganho da moeda norte-americana foi de 1,64 por cento. O dólar futuro subia por volta de 0,70 por cento nesta tarde.

“O contexto político continua sendo bastante desafiador. Temer ainda não foi capaz de convencer o mercado de que ele vai conseguir atravessar a tormenta e aprovar as reformas fiscais”, disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold, referindo-se ao presidente da República, Michel Temer.

Ruídos ligados à base aliada do presidente recém-empossado vêm alimentando a cautela nos mercados locais, que esperam cada vez mais impacientemente um sinal de força política que demonstre que o governo será capaz de colocar as contas públicas em ordem.

Em viagem à China no fim de semana, Temer afirmou que o governo deve anunciar em 13 de setembro o primeiro pacote de concessão de ativos de infraestrutura, mas não deu mais detalhes.

“O impeachment da (ex-presidente Dilma Rousseff) passou e não teve nenhuma grande compra de Brasil neste meio tempo, o que mostra que o assunto já estava precificado”, comentou o operador da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado.

“Quem estava apostando numa queda maior do dólar percebeu que ela não seria tão grande no curto prazo e resolveu recomprar parte das posições”, emendou ele, acrescentando que a política monetária também acaba influenciando o mercado de câmbio neste momento.

Na semana passada, o Banco Central não mexeu na Selic mas indicou que ela pode ser reduzida antes do esperado, em outubro, o que acaba tirando parte da atratividade dos ativos brasileiros. Na terça-feira, o BC divulga a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e os investidores vão em busca de mais sinais sobre o rumo da taxa básica de juros, hoje em 14,25 por cento ao ano.

Nesta manhã, o BC vendeu novamente a oferta total de até 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares.

Reportagem adicional de Cladia Violante

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