22 de Setembro de 2016 / às 19:22 / um ano atrás

Primavera terá La Niña; lavouras do Sul poderão ser prejudicadas, diz Inmet

SÃO PAULO (Reuters) - A primavera, que começou nesta quinta-feira, deverá ser marcada por um fenômeno La Niña de intensidade fraca e de duração inferior a 12 meses, com repercussões para as áreas de plantio de grãos, disse o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), vinculado ao Ministério da Agricultura.

“A primavera de 2016 será marcada pela atuação do fenômeno oceânico-atmosférico La Niña. Durante a segunda quinzena de setembro, a faixa equatorial do Oceano Pacífico manteve-se dominada por anomalias negativas da temperatura da superfície do mar...”, disse o instituto, em nota.

O Inmet lembrou que o La Niña é favorável às chuvas na região Nordeste e desfavorável no Sul nos meses de verão e outono, o que poderia colocar em risco produtividades das lavouras de grãos em importantes Estados produtores como Paraná e Rio Grande do Sul.

Contudo, o instituto ressaltou que outros fatores, como temperaturas do oceano Atlântico, provocam influências, podendo intensificar ou atenuar os efeitos do La Niña.

O Inmet disse que os meses de outubro, novembro e dezembro no Sul do país poderão ter uma distribuição de chuvas irregulares.

“Poderá haver uma diminuição das chuvas em grande parte da região, com destaque para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enfraquecendo as frentes frias e os Complexos Convectivos de Meso Escala (CCM), principais sistemas meteorológicos que ocasionam as chuvas entre a primavera e o verão”, disse o instituto.

Há previsão de chuvas irregulares e abaixo da normal climatológica, especialmente na metade norte do Paraná.

O Inmet destacou que os agricultores da região devem fazer um escalonamento no período de plantio, “pois poderá haver longos períodos sem chuva na região”.

A ocorrência do La Niña ainda gera divergências entre meteorologistas ao redor do mundo. No início de setembro, o órgão do governo dos Estados Unidos de previsão climática reduziu sua expectativa de condições para o desenvolvimento do fenômeno.

Alguns especialistas avaliam ainda que um La Niña mais fraco poderia reduzir riscos de perdas por seca no Sul, enquanto vários especialistas ouvidos recentemente pela Reuters já não contam com quebra de produtividade pelo evento climático.

CENTRO-OESTE

Para o Centro-Oeste, região que mais produz grãos no país, o Inmet prevê chuvas regulares e intensas, beneficiando a agricultura, devido à formação de sistemas de baixa pressão atmosférica.

“A previsão para outubro, novembro e dezembro indica chuvas acima da normal em parte do Estado de Goiás e Nordeste do Mato Grosso... acarretando na possibilidade, inclusive, de eventos extremos como chuvas intensas, ventos fortes e queda de granizo em todos os Estados da região”, disse o relatório.

CANA E CAFÉ

Os meses finais do ano marcam o início da entressafra nas lavouras de cana-de-açúcar, concentradas em São Paulo, mas são importantes para o desenvolvimento dos grãos de café que serão colhidos em 2017 em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Para o Sudeste, o Inmet estimou que diversos sistemas atmosféricos favorecerão as chuvas, por vezes com muita intensidade, em toda a região.

“Há previsão em longo prazo de chuvas acima da normal climatológica, concentrada nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, beneficiando a agricultura e o desenvolvimento dos cultivos”, destacou o Inmet.

Por Gustavo Bonato

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