27 de Setembro de 2016 / às 16:26 / um ano atrás

Horizonte relevante para BC não é estático, ideia é de continuidade, diz diretor

BRASÍLIA (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana, reiterou nesta terça-feira que o horizonte relevante para o BC não é estático, sendo que o Comitê de Política Monetária não deixa subitamente de olhar para um ano para mirar o seguinte.

“A ideia que quero transmitir aqui é de continuidade”, afirmou ele em apresentação do Relatório Trimestral de Inflação.

“O horizonte se move continuamente à medida que o tempo passa, de maneira gradual”, completou, também destacando que “à medida que avançam os meses, as ações de política monetária passam a dar maior importância, de maneira gradual, para períodos igualmente à frente”.

Questionado sobre o abandono pelo BC da frase de que iria perseguir “em particular” a meta de inflação de 4,5 por cento em 2017, adotando agora a menção ao horizonte relevante que abrange os anos-calendários com metas de inflação já definidas, “inclusive o ano de 2017”, Viana voltou a falar sobre o fato de o horizonte não ser rígido.

De um lado, apontou que a comunicação do BC tem tentado ser clara, e que “será mais produtivo tentar ler e entender o todo dessa comunicação e não tanto uma palavra específica aqui ou ali”.

De outro, porém, afirmou que a troca de palavras se insere no entendimento de que é parte da missão do BC olhar para todos os anos para os quais há meta de inflação. “Não há uma data mágica, um momento no tempo em que você abandona um ano e passa a olhar o ano seguinte”, afirmou.

“Essa comunicação sobre o horizonte avançando continuamente e o Comitê perseguindo a meta para 2017, mas também olhando para 2018, transmite essa ideia de condução com continuidade da política monetária”, completou.

Bastante perguntado sobre a avaliação do BC acerca do nível de encaminhamento dos ajustes na economia, Viana afirmou que o quadro fiscal é relevante e afeta o cenário para a inflação por mais de um canal.

“Os ajustes fiscais são muito importantes para o Banco Central porque afetam não só a trajetória da inflação, a trajetória prospectiva, as perspectivas de redução da inflação ao longo do tempo, mas também a incerteza e o balanço de riscos em torno dessas projeções”, afirmou.

Ele disse ainda que o BC acompanhará esse desenrolar ao longo do tempo, para incorporá-lo no seu processo de decisão.

No relatório publicado mais cedo, o BC disse que há sinais positivos em relação ao encaminhamento e à apreciação das reformas fiscais, mas que “o processo de tramitação ainda está no início e as incertezas quanto à aprovação e à implementação dos ajustes necessários permanecem”.

Segundo Viana, os sinais positivos estariam ligados ao encaminhamento ao Congresso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos à inflação do ano anterior, além “do pronunciamento de alguns participantes desse processo que sugere haver entendimento...de que haja realmente necessidade de ajustes fiscais importantes”.

Falando sobre swaps, Viana repetiu que, diante do chamado interregno benigno aberto para economias emergentes na esteira de juros ainda muito baixos em economias avançadas, o BC aproveitou para reduzir o estoque de swaps, sempre respeitando o regime de câmbio flutuante.

“Daqui para frente avaliaremos se esse interregno continua aberto e ajustaremos essa estratégia ao longo do tempo”, acrescentou.

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