21 de Outubro de 2016 / às 17:12 / em um ano

Demanda por fundos multimercado cresce com perspectiva de menos juros e recuperação econômica

SÃO PAULO (Reuters) - As perspectivas de mais cortes de juros e retomada da economia já levam alguns investidores a aumentar a procura pelos fundos multimercados em busca de retornos que superem a renda fixa, levando algumas casas a lançar novos produtos ou fechar existentes por já atingirem as metas de patrimônio.

Refletindo a maior procura por esses produtos, a gestora de recursos Garde Investimentos viu o patrimônio do seu multimercado D‘Artagnan, criado em dezembro de 2013, passar de 800 milhões de reais ao final de 2015 para 2 bilhões de reais em agosto deste ano, quando a administradora anunciou que fecharia para captações ao atingir 2,5 bilhões de reais. A meta foi alcançada em setembro.

“É quase uma parada técnica porque foi um crescimento muito grande”, disse o sócio fundador da Garde e responsável pela área de gestão, Carlos Calabresi, acrescentando que a gestora está aproveitando o momento para reforçar a equipe e redimensionar a posição para o novo tamanho do fundo.

Segundo o gestor, o aumento na equipe foi feito por meio da incorporação este mês de um time para atuar na modalidade long short dentro do fundo D‘Artagan. “A gente fez uma troca de pessoas para estratégia de mercados internacionais”, acrescentou.

Enquanto a Garde fechou seu fundo para captações, o Santander lançou dois fundos multimercados este ano, o Multi Strategy para o segmento private e Multi Estratégia para o segmento select, com estratégias semelhantes, mas alguma diferença no perfil de risco.

Os produtos, lançados em maio, em menos de cinco meses já tinham captação de quase 1 bilhão de reais, segundo o superintendente executivo de investimento do banco, Christiano Ehlers.

“Exatamente para capturar esse movimento (de alta na demanda por multimercados) que a gente trouxe gestores novos para nossa asset para tocarem esses fundos”, disse.

O movimento das gestoras acontece em um momento em que a indústria de multimercados caminha para ter o primeiro ano com captação positiva após três anos seguidos de perdas, segundo dados consolidados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Em dezembro de 2015, a captação líquida estava negativa em 31,544 bilhões de reais e em agosto deste ano, número mais recente disponível, já estava positiva em 7,484 bilhões de reais. Os dados também mostram aumento de quase 8 por cento no patrimônio líquido entre dezembro de 2015 e agosto deste ano.

O aumento na busca pelos multimercados vem na esteira das perspectivas de redução de juros, o que leva à diminuição na rentabilidade dos investimentos em renda fixa. Esta semana, o Banco Central deu início ao processo de flexibilização monetária, cortando a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14 por cento ao ano, no primeiro corte desde 2012.

Além da perspectiva de mais quedas nos juros básicos, o mercado já vê sinais melhores para a economia à frente, com o Produto Interno Bruto (PIB) voltando a crescer em 2017 e as projeções para inflação reduzindo semanalmente, cenário que, segundo Ehlers, do Santander, também ajuda os multimercados.

“Se você olhar historicamente, o melhor momento para multimercados, principalmente para os que trabalham com estratégias macro, é quando você tem tendências claras de mercado, principalmente se for um cenário positivo, construtivo para Brasil”, disse.

Outra gestora que também destacou aumento na demanda pelo segmento de multimercados foi a BBM Investimentos, com seu fundo Maraú.

“Acho que esse movimento vai se acelerar à medida que os juros da economia forem caindo... Esse modelo de queda de juros vai acabar atraindo os investidores para os multimercados que são fundos que conseguem trabalhar em vários cenários”, disse o gestor responsável pelas estratégias de renda fixa e moedas da BBM, Marcelo Mendes.

Segundo os gestores, as estratégias diversificadas e qualidade na gestão dos ativos torna o investimento atrativo aos investidores que buscam diversificar, ainda que não tenham apetite a risco suficiente para entrar diretamente na renda variável.

“Quanto mais baixo o CDI, maior a procura por produtos que possam gerar o CDI mais uma rentabilidade”, disse Calabresi, da Garde, acrescentando que a qualidade da gestão das casas melhorou nos últimos anos, em meio ao aumento no rigor por parte dos distribuidores. “O nível de profissionalismo dos hedge funds hoje é muito maior e portanto isso acaba se materializando em performances melhores.”

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