19 de Maio de 2017 / às 15:44 / 3 meses atrás

Com grande safra, estoque de suco de laranja do país saltará após mínima histórica

Trabalhadores carregam caminhão com laranjas em fazenda de Limeira, no Estado de São Paulo 13/01/2012Paulo Whitaker

SÃO PAULO (Reuters) - Os estoques globais de suco de laranja do Brasil, maior exportador mundial, devem terminar a temporada 2017/18 (julho/junho) com volumes entre 200 mil e 300 mil toneladas, o que significa um aumento de pelo menos 185 por cento na comparação com a projeção para o fechamento da safra atual, que deve encerrar com os menores níveis da história, afirmou nesta sexta-feira a associação de exportadores CitrusBR.

O crescimento se deve a uma forte recuperação esperada na safra de laranja 2017/18 da região citrícola de São Paulo e sudoeste de Minas Gerais, que deverá atingir 364,47 milhões de caixas de 40,8 kg, aumento de quase 50 por cento ante a fraca temporada anterior. Nesta área, estão situadas as principais unidades exportadoras de suco do Brasil.

Com uma safra maior, a produção de suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ equivalente) poderia ter forte aumento para 1,1 milhão de toneladas, segundo uma estimativa preliminar que considera a média de rendimento industrial das últimas cinco safras. Em 2016/17, a produção somou 648 mil toneladas, uma queda de 18,4 por cento ante 2015/2016.

O aumento deve ajudar a repor os estoques de suco de laranja do Brasil, "mas sem gerar excedentes", destacou o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

"O ciclo da cadeia do suco de laranja é muito longo, por isso acreditamos que teremos um equilíbrio nos estoques nos próximos 12 a 18 meses", ressaltou ele em nota.

O executivo explicou que uma previsão mais acurada sobre os estoques em 17/18 será possível após o acompanhamento do desenvolvimento dos frutos ao longo dos próximos meses e variáveis como rendimento industrial, consumo interno de fruta e demanda por suco.

Na melhor das hipóteses (300 mil toneladas), os estoques ainda seriam inferiores aos verificados em junho de 2016, quando somaram 351 mil toneladas. No mesmo período, em 2012, após uma safra abundante, somaram mais de 660 mil toneladas.

A produção total de pouco mais de 1 milhão de toneladas de suco projetada para 17/18 ainda ficaria acima da atual demanda média anualizada de 964 mil toneladas.

Questionado sobre as perspectivas de demanda para a nova safra, Netto afirmou que "é possível" que cresça em relação a 2016/17, "principalmente porque neste ano tivemos restrição na oferta, o que dificultou o ritmo de embarque".

"A esperança para todo setor é que a receita cresça, principalmente porque teremos mais suco disponível. Mas, obviamente, essa é relação que depende totalmente do mercado... porém, acreditamos que os fundamentos estejam bastante sólidos", disse ele, ressaltando que a associação não faz cenários relacionados a preços.

Os contratos futuros do suco de laranja congelado e concentrado negociados em Nova York estão nas mínimas desde maio de 2016, cotados a aproximadamente 140 centavos de dólar por libra-peso, após um pico histórico em novembro do ano passado, de mais de 230 centavos.

As exportações da commodity do Brasil, que responde por cerca de 80 por cento dos embarques globais de suco de laranja, somaram no acumulado da safra de julho de 2016 a abril de 2017 cerca de 1,3 bilhão de dólares, queda de 12 por cento ante o mesmo período do ano passado, amenizada pelos preços mais altos, uma vez que os volumes embarcados recuaram 21 por cento na esteira da menor produção.

Por Roberto Samora

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