1 de Setembro de 2017 / às 19:52 / 19 dias atrás

Atraso em transmissão impede Belo Monte de gerar com novas turbinas

Visão geral das obras da hidrelétrica de Belo Monte, em Pimental, perto de Altamira, no Estado do Pará 23/11/2013 REUTERS/Paulo Santos

SÃO PAULO (Reuters) - A hidrelétrica de Belo Monte não poderá gerar eletricidade com sua próxima turbina a ser concluída ainda neste mês, devido a atrasos na obra de linhas de transmissão que iriam escoar a produção da usina no Pará até o sistema elétrico, segundo um documento visto pela Reuters.

A Norte Energia, que reúne os sócios do empreendimento, com acionistas como Eletrobras, Cemig, Light, Neoenergia e Vale, já foi alertada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre a falta de capacidade do sistema para receber a geração da próxima máquina da usina, que quando concluída será uma das maiores do mundo.

Até o momento, a usina no Rio Xingu, com investimento estimado em 35,9 bilhões de reais, colocou em operação comercial doze turbinas --seis na casa de força principal e seis menores em uma unidade complementar.

“Com o atraso na linha (de transmissão)... há capacidade para escoamento apenas até a unidade geradora 6 (da casa de força principal)”, afirma um documento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) visto pela Reuters, que publicou reportagem em março indicando que o problema limitaria a geração a partir do final deste ano.

Cada máquina da casa de força principal tem 611 megawatts em capacidade, o que representa praticamente a potência de uma usina de grande porte.

A título de comparação, a hidrelétrica de Sinop, com 400 megawatts, exigiu investimentos de cerca de 3 bilhões de reais.

A limitação em Belo Monte vem após a espanhola Abengoa alegar crise financeira e abandonar ainda no final de 2015 as obras de linhas de transmissão que aumentariam a capacidade do sistema e possibilitariam à rede receber a energia de Belo Monte.

Até o momento, a geração da hidrelétrica vinha sendo escoada por um sistema local de transmissão, mas a capacidade dessa estrutura já se esgotou.

Uma autoridade do setor elétrico confirmou à Reuters que Belo Monte alcançou o limite disponível para transmissão.

“É isso mesmo. O que acontece é que houve vários atrasos no cronograma de obras de transmissão, principalmente naquelas obras do Nordeste que seriam da Abengoa”, disse.

Embora a restrição faça com que a próxima máquina de Belo Monte não esteja apta a produzir eletricidade para a rede, a turbina deverá ser ligada mesmo assim, para apoiar a operação do sistema elétrico, funcionando em um esquema conhecido tecnicamente como “compensador síncrono”, acrescentou a fonte.

“É uma manobra elétrica muito comum no sistema elétrico, no mundo inteiro... ajuda na operação, no controle da operação. A máquina não injeta megawatts na rede, ela absorve”, explicou a fonte, que falou sob a condição de anonimato.

A previsão agora é que essa restrição acabe somente quando entrar em operação um enorme linhão de ultra-alta tensão que está sendo construído pela Belo Monte Transmissora de Energia (BMTE), uma parceria da chinesa State Grid com a Eletrobras.

O linhão, que ligará Belo Monte ao Sudeste, tem cronograma que prevê conclusão para fevereiro de 2018, o que deve permitir o escoamento da energia das novas turbinas, se não houver atraso na obra.

Procurada pela Reuters, a Norte Energia disse em nota que “qualquer unidade geradora conectada ao sistema elétrico assegura receita ao empreendedor, independentemente de questões referentes à transmissão de energia”. O pagamento é previsto porque o atraso não está sob controle da empresa.

Segundo a companhia, a conexão das próximas máquinas da usina, as turbinas 7 e 8, “está programada para setembro e dezembro deste ano, respectivamente”.

O ONS não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

ATRASO ADICIONAL

A Norte Energia apontou à Aneel, ainda, um pedido para atrasar em quase um ano a data prevista para a entrada em operação da totalidade das máquinas de Belo Monte, segundo documento do regulador visto pela Reuters.

O contrato de concessão da usina prevê o acionamento da última turbina da casa de força principal em 31 de janeiro de 2019, mas a Norte Energia disse ter uma previsão atual de concluir a instalação das máquinas em 6 de janeiro de 2020.

Questionada sobre a data prevista para conclusão da usina, a Norte Energia disse apenas que “mantém o cronograma informado até o momento aos órgãos de regulação do setor”, sem abrir as datas previstas.

Na correspondência à Aneel sobre a limitação na geração em Belo Monte, a Norte Energia pediu autorização para adiar a entrega das próximas turbinas para a partir de março de 2018, o que, segundo a empresa, alinharia o cronograma da usina com a data em que o sistema de transmissão estará pronto.

Case este pedido seja aceito, a usina atrasaria um pouco mais, ficando totalmente pronta em 25 de fevereiro de 2020, segundo o documento.

Quando estiver concluída, Belo Monte contará ao todo com 24 máquinas.

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