5 de Setembro de 2017 / às 20:39 / em 14 dias

EXCLUSIVO-EUA avaliam impor restrições a herbicida ligado a danos às lavouras

Produtor olha sua lavoura de soja, que ele reportou ao conselho do Estado por mostrar sinais de danos devido à vaporização do pesticida dicamba da Monsanto em sua propriedade em Dell, no Arkansas 25/07/2017 REUTERS/Karen Pulfer Focht

(Reuters) - A agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) está considerando impor restrições à aplicação do herbicida dicamba, segundo autoridades do governo que estão assessorando o órgão em sua resposta aos danos às lavouras ligados ao pesticida.

O estabelecimento de um prazo limite para aplicação, possivelmente em algum momento na primeira metade de 2018, teria o objetivo de proteger plantas vulneráveis ao dicamba, após produtores ao redor do cinturão agrícola dos EUA reportarem que o químico foi carregado pelo vento de onde foi originalmente borrifado neste verão, danificando milhões de acres de soja e outras culturas.

Uma eventual proibição afetaria as vendas da Monsanto e DuPont, que vendem o pesticida dicamba e sementes de soja Xtend da Monsanto, que é tolerante ao dicamba. A BASF também vende o herbicida dicamba.

Ainda não se sabe como os danos atribuídos aos herbicidas, usados na soja e algodão Xtend, afetarão as produtividades da soja que não é resistente ao dicamba, uma vez que as lavouras ainda não foram colhidas.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) discutiu estabelecer um prazo para a aplicação no próximo ano, durante uma conversa com autoridades do governo no mês passado que tratou dos passos que a agência poderia tomar para evitar uma repetição dos danos, disseram quatro participantes da reunião à Reuters.

Foi a mais recente de uma série de pelo menos três conferências telefônicas que a EPA teve com reguladores do governo e especialistas desde o fim de julho dedicadas aos danos às lavouras relacionado ao dicamba, e a primeira a focar em como responder ao problema, disseram os participantes.

Uma data limite para o uso na primavera ou início do verão no Hemisfério Norte poderia proteger plantas vulneráveis ao permitir que produtores somente borrifem os campos antes que a soja germine, segundo especialistas em ervas daninhas e pesticidas.

A porta-voz da Monsanto, Christi Dixon, disse à Reuters em 23 de agosto, a data da última ligação da EPA, que a agência não havia indicado que planejava proibir a borrifação dos herbicidas dicamba na soja que havia emergido. Essa ação “não seria justificada”, disse ela.

A EPA não tinha um comentário imediato.

Autoridades da EPA na última ligação deixaram claro que seria inaceitável ver o mesmo nível de dano às lavouras de novo no ano que vem, segundo Andrew Thostenson, um especialista em pesticidas da Universidade Estadual da Dakota do Norte que participou da ligação.

Eles disseram que “precisava haver algumas mudanças significativas nas regras de uso se vamos mantê-lo em 2018”, disse ele sobre o uso do dicamba.

Reguladores do governo e especialistas de universidades do Arkansas, Missouri, Illinois, Iowa e Dakota do Norte estão pressionando a EPA a decidir logo sobre as regras que guiarão o uso porque produtores tomarão decisões de plantio para a próxima primavera ao longo dos próximos meses.

Maiores restrições ao uso poderiam desencorajar produtores endinheirados de comprar as caras sementes de soja Xtend da Monsanto. A soja tolerante ao dicamba custa cerca de 64 dólares a saca, contra cerca de 28 dólares por uma saca de soja Roundup Ready da Monsanto e cerca de 50 dólares por uma saca de soja resistente ao herbicida Liberty, da Bayer.

Uma força tarefa no Arkansas aconselhou o governo a barrar a borrifação de dicamba após 15 de abril no próximo ano, o que poderia evitar que a maior parte dos produtores do Estado de use dicamba na soja Xtend após ela emergir.

O Arkansas já bloqueou vendas do herbicida dicamba da Monsanto, XtendiMax com VaporGrip, no Estado.

“Se o EPA impusesse a data limite de 15 de abril para a borrifação de dicamba, isso seria catastrófico para a Xtend — invalida todo o ponto de plantá-la”, disse Jonas Oxgaard, analista para a empresa de gestão de investimentos Bernstein.

A Monsanto projetou que seu sistema de safra Xtend daria um prêmio de 5 a 10 dólares por acre sobre a soja resistente somente ao glifosato, criando uma oportunidade de 400 milhões a 800 milhões de dólares para a companhia assim que as sementes forem plantadas em uma área esperada de 80 milhões de acres nos Estados Unidos, segundo Oxgaard.

Até 2019, a Monsanto prevê que produtores dos EUA plantarão soja Xtend em 55 milhões de acres, ou mais de 60 por cento do total plantado neste ano.

Cerca de 3,1 milhões de acres de soja vulnerável ao dicamba foram afetados pela borrifação neste verão, equivalente a 3,5 por cento da área plantada nos EUA, segundo a Universidade do Missouri.

Companhias químicas culparam o mal uso de produtores pelos danos às lavouras.

Com reportagem adicional de Karl Plume e Rod Nickel

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