September 18, 2017 / 1:39 PM / 7 months ago

ENTREVISTA-BNDES mantém defesa de saída da família Batista do comando da JBS

Por Rodrigo Viga Gaier

Presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, discursa em cerimônia no Rio de Janeiro, Brasil 1/6/2017 REUTERS/Pilar Olivares

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará defendendo a saída definitiva da família Batista do comando executivo da JBS, disse o presidente do banco de fomento nesta segunda-feira, após o conselho de administração da empresa de alimentos ter eleito José Batista Sobrinho como novo presidente-executivo para o lugar do filho Wesley, que está preso.

“Nem nos nossos maiores desvarios nos passa pela cabeça desistir da nossa posição de trocar o comando da empresa”, disse o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, em entrevista à Reuters nesta segunda-feira.

“O banco permanecerá firme como um rocha na sua posição como sócio da empresa influindo tudo que for possível para consertar a péssima governança da companhia”, afirmou. Mas o banco não pretende se desfazer da participação na JBS.

Rabello de Castro disse que o BNDES vai consultar a Comissão de Valores (CVM) sobre a validade da reunião do conselho da JBS, que no sábado elegeu Sobrinho como novo presidente-executivo para complementar o mandato de Wesley.

“Vejo malandragem no que foi feito. Uma reunião desse tipo e para resolver essa grandeza não se convoca de uma hora para outra; é completamente fora de propósito”, disse Rabello de Castro.

O BNDESPar, que tem 21,3 por cento da JBS, vinha defendendo o afastamento de Wesley do comando da JBS. A pressão aumentou após o empresário ter sido preso na quarta-feira pela Polícia Federal, acusado de usar informações privilegiadas para ganhar dinheiro no mercado financeiro.

A JBS é alvo de escândalo, após seus executivos revelarem um esquema para comprar de políticos. As revelações foram feitas em um acordo de delação premiada. O acordo pode ser cancelado após a descoberta de que os delatares esconderam crimes que não foram revelados à época do acordo.

Rabello de Castro disse que não sabia da reunião de sábado, que elegeu Sobrinho por unanimidade, e criticou a representante do BNDESPar no conselho, Claudia Silva de Azeredo Santos, por ter participado e votado.

“Ela não deveria ter comparecido para não se dar por convocada”, afirmou.

Rabello de Castro disse ainda que o BNDESPar indicará ainda nesta segunda dois novos representantes para compor o conselho da JBS. Um deles será Cledorvino Belini, ex-presidente da Fiat Chrysler para a América Latina. O outro nome ainda precisa ser definido pelo banco.

Daqui em diante, o banco será mais criterioso na concessão de empréstimos a empresas e a boa governança será um elemento fundamental para novas liberações, segundo o presidente.

Às 11h04, a ação da JBS tinha queda de 3,8 por cento na bolsa paulista. No mesmo instante, o Ibovespa subia 0,75 por cento.

Reportagem adicional de Aluísio Alves, em São Paulo

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