September 19, 2017 / 6:17 PM / a year ago

Governo convoca comitê do setor elétrico por preocupação com falta de chuvas

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal convocou uma reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para esta terça-feira devido a preocupações com a falta de chuvas na região das hidrelétricas, principal fonte de geração do Brasil, disse uma autoridade à Reuters.

Com precipitações fracas previstas para este e o próximo mês, a expectativa é de forte aumento de custos para atender à demanda, com o acionamento de termelétricas mais caras, o que pode levar as contas de luz a ter já em outubro uma cobrança adicional, decorrente do acionamento da bandeira tarifária vermelha em seu segundo patamar.

Atualmente, a bandeira tarifária das contas de luz é amarela, o que significa um custo adicional de 2 reais a cada 100 kilowatts-hora em eletricidade consumidos. A bandeira vermelha eleva o adicional para 3 reais em seu primeiro patamar e para 3,50 reais no segundo patamar.

“Há uma preocupação muito grande com a pluviometria daqui para a frente, com o regime hidrológico. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ficou de apresentar nessa reunião extraordinária uma análise mais consistente, para sabermos o nível de despacho de termelétricas que será necessário”, explicou o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Fábio Lopes Alves.

Ele disse que não é cogitado no momento acionar termelétricas mais caras em caráter emergencial, o chamado despacho “fora da ordem de mérito”, mas admitiu que o acionamento de termelétricas esperado devido à seca poderá aumentar as contas de luz nos próximos meses.

“Vai ser analisado nessa reunião, mas provavelmente em outubro deverá ser acionado bandeira vermelha. O que está se avaliando é se é nível 1 ou nível 2”, disse Lopes.

O CMSE foi criado em 2004, pouco após o Brasil passar por um racionamento de eletricidade entre 2001 e 2002. Formado por autoridades de órgãos técnicos do setor elétrico e do governo, o comitê tem como objetivo avaliar riscos para a segurança do suprimento de energia.

Lopes disse que “não há nenhuma ameaça de falta de energia” apesar da falta de chuvas, mas não descartou medidas adicionais para lidar com a situação. “O problema é o custo”, apontou.

CAMPANHA

O secretário do Ministério de Minas afirmou que o governo tem considerado lançar uma campanha para conscientizar a população sobre o problema de oferta gerado pelas chuvas fracas, para incentivar uma economia de energia, o que também deverá ser discutido na reunião do CMSE desta terça-feira.

“A ideia é de se começar, junto com a bandeira tarifária, uma campanha de conscientização. Uma das formas de você gerenciar a demanda é pelo consumo”, disse o secretário.

A Reuters publicou na semana passada que a situação hídrica não deve ter alívio significativo nem mesmo no período tradicionalmente de chuvas na região das hidrelétricas, entre dezembro e abril, segundo projeções da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A instituição espera precipitações abaixo da média histórica durante todo o período, o que pode atrapalhar uma recuperação dos reservatórios das hidrelétricas para 2018.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below