October 3, 2017 / 5:35 PM / 9 months ago

Chuva beneficia café no Brasil, mas maturação da próxima safra preocupa

Por José Roberto Gomes

Pés de café são irrigados em cafezal em Santo Antônio do Jardim, no Estado de São Paulo, Brasil 07/02/2014 REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas recentes em áreas produtoras de café do Brasil têm contribuído para a redução do estresse hídrico e devem induzir as plantações à “principal” florada do ciclo, mas ainda há preocupações quanto à maturação dos grãos que serão colhidos no próximo ano, disseram especialistas.

Os cafezais brasileiros foram afetados por uma severa estiagem em setembro, que fez o setor retirar suas apostas de uma “supersafra” em 2018.

Desde o final de semana, porém, as precipitações retornaram às lavouras. No acumulado dos últimos sete dias, por exemplo, choveu 47,6 mm no sul e sudeste de Minas Gerais e 16,9 mm na Zona da Mata mineira, importantes regiões produtoras do país, de acordo com o Agriculture Weather Dashboard, do terminal Eikon da Thomson Reuters.

“Como houve registros de chuvas nas áreas produtoras de café do Paraná, São Paulo e também de Minas Gerais, a perspectiva é de... que venham a ocasionar a indução floral. É muito provável que essa venha a ser a principal (florada)”, disse o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos.

O diretor da consultoria Pharos, Haroldo Bonfá, concorda que as precipitações de agora devem induzir as plantações para a segunda florada do ciclo.

“O arábica normalmente tem três floradas”, disse ele, ponderando que os espaços entre uma e outra estão maiores neste ano —a florada anterior havia sido no fim de agosto—, o que pode gerar grãos com estágios de maturação diferentes no momento da colheita, a partir de junho de 2018.

“O grande problema é que haverá uma maturação diferente dos grãos. No mesmo ramo, o produtor encontrará grãos diferentes, um mais verde, outro médio e outro melhor. As floradas estão muito espaçadas”, destacou Bonfá.

“No momento da colheita será complicado. Talvez o produtor tenha de fazer uma colheita escalonada, parcelada, porque se colher tudo de uma vez, terá problemas com a qualidade do café”, acrescentou o especialista do Departamento de Economia Rural do Estado do Paraná (Deral), Paulo Sérgio Franzini.

“Essas floradas espaçadas são um ponto desfavorável para a maturação, que fica desuniforme. Não é comum isso”, afirmou Franzini, destacando que as precipitações dos últimos dias ajudam a interromper as perdas decorrentes da seca, mas ainda são insuficientes para repor totalmente o déficit hídrico.

“Precisávamos de uma chuva homogênea de mais de 80 mm.”

Pela previsão do Agriculture Weather Dashboard, as chuvas deverão ocorrer de forma mais irregular e em volumes diários menos expressivos em Minas Gerais e São Paulo, em relação aos últimos dias.

Até 18 de outubro, a expectativa é de um acumulado de cerca de 28 mm na região de Ribeirão Preto (SP) e na Zona da Mata (MG).

No Sul de Minas, há expectativa de mais chuvas, de quase 50 mm, no acumulado do mesmo período.

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