April 4, 2018 / 6:21 PM / 3 months ago

Oferta de café no Brasil fica "normal" pela 1ª vez em mais de um ano, diz Abic

Por José Roberto Gomes

Plantação de café em São Desidério (Bahia) 21/3/2018 REUTERS/Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A oferta de café para a indústria brasileira atingiu níveis considerados normais pela primeira vez em mais de um ano, com produtores dispostos a vender para gerar caixa e escapar de preços ainda mais baixos às vésperas de uma safra que promete ser recorde, disse uma liderança do setor nesta quarta-feira à Reuters.

Pelos dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil pode produzir mais de 58 milhões de sacas em 2018, em um ano de alta na bianualidade do arábica e também como resultado de uma recuperação nas lavouras de conilon, que sofreu com fortes secas nos últimos anos.

Em meio a essa perspectiva, além da própria ampla oferta global, as cotações da commodity vêm caindo tanto interna quanto externamente. No Brasil, a saca do arábica, principal variedade produzida, já cedeu 5,4 por cento em 2018, segundo o Cepea, enquanto os futuros da commodity na Bolsa de Nova York recuaram 7,6 por cento.

Esse cenário tem levado produtores do Brasil, maior exportador mundial, a comercializar agora suas colheitas antes que os preços do café caiam ainda mais, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz.

“Tem havido maior oferta tanto de conilon quanto de arábica... Isso tem vários fatores. O principal, talvez, é que estamos no fim da entressafra de conilon, em mais alguma semanas vamos começar a colheita, e os produtores tendem a vender mais para suportar as despesas com essa colheita”, afirmou Herszkowicz.

O Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI), calculado pela Abic, atingiu no período de 26 a 29 de março 7,22 pontos, acima da marca de 7 pontos, que indica oferta normal, pela primeira vez desde novembro de 2016, quando foi lançado.

O índice vai de 1 a 9 e, quanto maior, melhor a disponibilidade do produto.

No começo de 2017, ainda na esteira da quebra de safra no Espírito Santo, o IOCI chegou a se aproximar de 2 pontos, apontando oferta crítica para a indústria. Nos últimos meses, oscilou em torno de 5 a 6 pontos, o que configura disponibilidade seletiva do produto.

Conforme Herszkowicz, essa maior oferta tem sido puxada pelo conilon, cujos preços em baixa vêm “trazendo grande preocupação”. A saca do produto está hoje perto de 300 reais, bem aquém dos mais de 500 reais vistos durante os problemas no Espírito Santo.

“No caso do arábica a resistência dos preços é maior... Mas os fenômenos são parecidos. Os números da Conab já apontam para uma oferta equilibrada, que não permite que o preço caia tanto e também não justifique um aumento de preço”, comentou.

A safra de café no Brasil começa pela colheita do conilon, já a partir de abril. Em meados do ano, entre junho e julho, ganha força a colheita do arábica.

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