May 18, 2018 / 7:51 PM / 7 months ago

Novo salto do dólar pós-Copom faz mercado especular sobre atuação do BC

SÃO PAULO (Reuters) - A forte alta do dólar ante o real tem levado o mercado a cogitar até que ponto o Banco Central está disposto a intervir no mercado de câmbio para aliviar a pressão sobre a moeda, com investidores apostando em ações mais amplas que a rolagem de swaps cambias que a autoridade monetária realiza desde fevereiro.

Presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn 26/09/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Depois de ter subido 20 centavos em abril, para 3,50 reais, e mais 20 centavos em maio até a véspera, para 3,70 reais, o dólar deu um salto de quase 10 centavos apenas nesta sessão.

“Acredito que o BC vai agir para reforçar a oferta de swap cambial nesta sexta-feira, após o fechamento do mercado”, comentou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, ao lembrar que o mercado está acostumado com anúncios de intervenções do BC às sextas-feiras.

Em maio até agora, o BC anunciou que voltaria a agir no mercado de câmbio logo na virada do mês, no dia 2, uma vez que o dólar já estava num patamar bastante elevado.

Na ocasião, ele anunciou a oferta de até 8.900 contratos para venda a partir do dia seguinte, volume que, se fosse mantido até o final do mês, acrescentaria 2,8 bilhões de dólares adicionais além da rolagem de 5,650 bilhões de dólares que vencem em junho.

No último dia 11, uma sexta-feira portanto, o BC voltou a fazer anúncio ao mercado, de que mudaria a forma de intervenção, com oferta de até 4.225 contratos para rolagem do que restava dos 5,650 bilhões de dólares que vencem em junho, além de até 5 mil contratos novos, o que acrescentaria 200 milhões de dólares a mais do que o total inicialmente previsto.

De fato, o anúncio de início de rolagem de swaps em abril também aconteceu numa sexta-feira, dia 6, assim como em março, quando o BC informou o mercado que voltaria a atuar no dia 9, com início dos leilões no dia 12.

“Não acredito que esse BC iria entrar no meio do pregão. Ele não vai dar margem para interpretação fácil de que está assustado”, comentou um economista que prefere não se identificar.

CENÁRIO EXTERNO

O dólar vem trabalhando bastante pressionado em todo o mundo por conta da perspectiva de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, poderá elevar o juro mais vezes do que o inicialmente previsto, leitura que ganhou reforço com o avanço do rendimento do Treasury de 10 anos acima do importante nível psicológico de 3 por cento. Nesta sexta-feira, o papel chegou a operar na casa de 3,10 por cento.

Desta forma, muitos investidores optam por tirar dinheiro de outras praças, sobretudo as mais arriscadas, como de países emergentes com o Brasil, e levar o dinheiro para lá.

No caso doméstico, também pesa contra o real o fato de o Banco Central ter cortado a Selic para a mínima histórica de 6,50 por cento, diminuindo consideravelmente esse diferencial de juro em relação aos Estados Unidos e tendo ainda uma eleição doméstica bastante complicada à frente.

O fato de o BC ter decidido manter a taxa inalterada em 6,50 por cento na última quarta-feira se baseou no cenário externo mais conturbado e volátil, cuja consequência direta nos últimos meses têm sido um dólar mais forte. Entretanto, o que poderia ser um alívio para o mercado doméstico acabou sendo uma preocupação a mais para os investidores.

“O BC deu o recado de que o dólar está preocupando. Se está preocupando o BC, por que o mercado também não ficaria preocupado?”, questionou um operador de derivativos de uma corretora local ao justificar o nervosismo dos agentes.

Nesta sexta-feira, foi registrado inclusive um forte movimento de stop loss, com muitos investidores zerando operações vendidas —quando se desfazem em apostas de queda do dólar—, o que contribuiu para levar a moeda para a máxima a 3,7774 reais.

“Dizer que tem mecanismos fortes para usar em caso de necessidade, mas concretamente ser tímido na atuação como está sendo aumenta a imprevisibilidade e o nervosismo dos mercados em um momento que a aversão ao risco sobe”, concluiu o operador da Advanced Corretora Alessandro Faganello.

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