August 21, 2018 / 5:58 PM / in 3 months

Indústria vê preço do trigo sustentado no Brasil mesmo com entrada de nova safra

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços do trigo no Brasil “não devem cair muito” nas próximas semanas, mesmo com a entrada da nova safra, dada a sustentação observada no mercado internacional, avaliou nesta terça-feira a Abitrigo, associação que representa a indústria nacional.

Plantação de trigo 13/06/2018 REUTERS/Regis Duvignau

Segundo o vice-presidente do Conselho Deliberativo da entidade, João Carlos Veríssimo, problemas de oferta em importantes players globais, como Rússia, Ucrânia e mesmo China, têm dado suporte às cotações na Bolsa de Chicago Wc1, referência para a commodity.

“Não vai ter refresco para a indústria brasileira de nenhuma origem. A base é uma só, é Chicago. Não vejo redução nos custos para os moinhos, mesmo com a entrada da nova safra”, afirmou ele na sede da Abitrigo, por ocasião da divulgação de uma política setorial para produto.

“Não existe perspectiva de queda do preço do trigo no curto prazo”, frisou.

A colheita de trigo deve começar nas próximas semanas no Paraná, o principal produtor do cereal do Brasil.

Conforme monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o trigo doméstico está atualmente em torno de 960 reais por tonelada, 300 reais mais na comparação com igual período do ano passado.

Em Chicago, a apreciação da commodity é da ordem de 30 por cento.

Preços mais altos exerceriam pressão sobre a indústria nacional, uma vez que o Brasil é um importador líquido da commodity.

Pelos dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve produzir 5,14 milhões de toneladas de trigo em 2018, com compras externas de 6,3 milhões de toneladas, a maior parte vindo da Argentina.

POLÍTICA

A Abitrigo lançou nesta terça-feira uma proposta de política setorial para a commodity, a ser apresentada aos candidatos à Presidência da República, com eixos de ação que vão desde revisão de incentivos fiscais até ampliação da área plantada, passando por investimentos em logística.

A proposta para uma Política Nacional do Trigo visa impulsionar a oferta do cereal no Brasil.

“Toda a cadeia vai se beneficiar de uma política nacional, o que não há no Brasil”, disse o presidente da Abitrigo, embaixador Rubens Barbosa, destacando que a política não é protecionista e prevê uma ação de “médio e longo prazo”.

Conforme a Abitrigo, são seis os eixos que norteiam a proposta: ambiente legal, produção, incentivos fiscais, ambiente de negócios, comércio internacional e logística e infraestrutura.

A proposta também defende desburocratização, apoio à pesquisa, isonomia tributária em toda a cadeia produtiva, modernização de portos e da cabotagem, investimentos em armazenagem, dentre outros pontos.

A Abitrigo é integrada por 44 moinhos, representando mais de 85 por cento da indústria moageira do Brasil.

Por José Roberto Gomes; edição de Roberto Samora

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