November 26, 2018 / 8:44 PM / 22 days ago

CORREÇÃO-Ibovespa fecha em queda de 0,8%, guiado por bancos e Vale

(Corrige no título para queda de 0,8%, não de 1%)

Operadores durante pregão da Bovespa, em São Paulo 24/05/2016 REUTERS/Paulo Whitaker

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou a segunda-feira em queda, descolada do tom positivo de praças acionárias no exterior, tendo as ações de bancos e da mineradora Vale entre as principais pressões negativas, em sessão com expressivo volume financeiro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79 por cento, a 85.546,51 pontos. O volume financeiro alcançou 18 bilhões de reais, acima da média diária do mês, de 14,7 bilhões de reais.

Na máxima, o Ibovespa subiu 1 por cento, com o tom positivo nas bolsas na Europa e em Wall Street, além da alta dos preços do petróleo, Mas o fôlego se dissipou no final da manhã, conforme moedas de emergentes se deterioraram, incluindo o real.

A moeda norte-americana fechou em alta de 2,49 por cento, a 3,9175 reais na venda, maior patamar desde os 3,9349 reais de 2 de outubro. Foi a maior alta percentual desde 14 de junho, quando havia saltado 2,64 por cento. Em cinco sessões seguidas, já acumulou apreciação de 4,75 por cento.

Profissionais da área de renda variável citaram efeito na bolsa de possíveis movimentos de zeragem de posição por fundos multimercados com posições vendidas em dólar, conforme estrangeiros voltaram a comprar contratos da moeda contra o real e ajudaram no fortalecimento da divisa norte-americana.

Para o gestor Henrique Bredda, da Alaska Asset Management, o movimento na bolsa pode ser reflexo de ‘short squeeze’ (cobertura de posições vendidas) em multimercados.

“Nenhuma notícia justifica o real perder do rublo hoje. Na Rússia estão tendo que lidar com conflito, queda das commodities de forma mais intensa que o Brasil. E notícias no Brasil são de aumento de confiança e governo pouco a pouco andando na direção certa. Acredito ser de ordem técnica mesmo”, argumentou.

Dados da B3 também mostraram novo saldo negativo de capital externo no último dia 22, dado mais recente disponível, com a saída líquida de estrangeiros acumulada no mês já próxima de 3,6 bilhões de reais. “Investidores locais estão indo atrás dos estrangeiros e vendendo também”, disse um operador.

Em Wall Street, o S&P 500 seguia no azul, mas um dado da associação norte-americana de investidores individuais mostrou piora das perspectivas. Na pesquisa mais recente, 47,1 por cento dos participantes assinalaram o item ‘bearish’, maior percentual desde fevereiro de 2016.

DESTAQUES

- BRADESCO PN caiu 1,44 por cento e ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,65 por cento, em dia negativo para ações de bancos. BANCO DO BRASIL cedeu 1,76 por cento e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 3,58 por cento.

- VALE fechou em queda de 0,46 por cento, na esteira do declínio do preço do minério de ferro.

- PETROBRAS PN caiu 0,49 por cento. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse que não há acordo sobre a cessão onerosa. Mais cedo, o papel subiu 2,5 por cento, apoiado na alta do petróleo, bem como relatório do Itaú BBA elevando recomendação das PNs para ‘outperform’.

- GOL recuou 7,53 por cento, com a alta do dólar e avanço dos preços do petróleo levando a uma realização de lucros no papel, que ainda sobe cerca de 10 por cento no mês e quase 40 por cento em 2018.

- KROTON caiu 3,11 por cento. A empresa de educação teve um encontro com investidores nesta segunda. Para analistas do Itaú BBA presentes no evento, o declínio pode estar ligado a alguma frustração com as sinergias esperadas com a aquisição da Somos e potenciais efeitos de margens com novas unidades de educação básica.

- JBS subiu 2,39 por cento e BRF avançou 0,74 por cento, ajudadas pelo dólar e ainda reagindo à habilitação de fábricas de ambas as empresas para exportar para o México e especulações sobre outros mercados. Analistas do Bradesco BBI avaliam que recentes desdobramentos no cenário do mercado exportador podem dar ânimo extra aos papéis.

- SUZANO valorizou-se 1,99 por cento, favorecida pelo fortalecimento do dólar, além de dados sobre estoques e embarques de celulose que animaram analistas.

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Edição de Aluísio Alves

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