December 20, 2018 / 6:11 PM / 3 months ago

ENTREVISTA-Santander busca dobrar lojas Agro em 2019 com setor em alta

SÃO PAULO (Reuters) - O Santander Brasil, unidade do espanhol Santander, prevê até dobrar a quantidade de lojas Agro no país no próximo ano, disse à Reuters um executivo da instituição, à medida que o setor segue em expansão e a safra pode ser recorde.

Logo do Santander Brasil 07/10/2009 REUTERS/Natalie Behring

Após anunciar 16 unidades desse tipo em 2017 e outras seis neste ano, o banco agora busca abrir de “10 a 20” em 2019, em um processo de “interiorização” da empresa, afirmou o diretor de Agronegócios do Santander no país, Carlos Aguiar.

As lojas Agro estão no centro da estratégia do Santander, ainda o quinto no ranking dos maiores fornecedores de crédito ao setor no Brasil, para capitalizar parte do desenvolvimento da agropecuária brasileira.

“Estamos em processo final de orçamento”, disse ele, sem revelar valores destinados para as novas unidades, acrescentando que todos os Estados da região Sul, a segunda maior produtora de grãos depois do Centro-Oeste, terão lojas Agro, onde os produtores são atendidos por gerentes especializados e contam com a assessoria de agrônomos.

Ele não abriu potenciais municípios para esses estabelecimentos.

O Brasil tende a colher uma safra recorde de 238,4 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas em 2018/19, e o valor bruto da produção agropecuária deve aumentar 2 por cento em 2019, conforme recentes previsões do governo.

O ambiente de negócios, porém, é mais turbulento devido à disputa comercial entre Estados Unidos e China, ao tabelamento de fretes e, mais recentemente, a algumas adversidades climáticas.

Mesmo assim, Aguiar vê o ânimo do produtor brasileiro como positivo.

“As margens estão boas... O frete vai bater na rentabilidade, mas não vai matar ninguém... A gente começou a safra passada com uma janela ruim (de plantio), nesta safra começamos dentro da janela. Estamos acelerando, estamos otimistas com o setor, com a renda do produtor”, resumiu ele, que já teve passagem pela gigante Cargill.

Na avaliação dele, apenas a intensificação da guerra comercial figura como maior risco neste momento, uma vez que pode acarretar em desaceleração econômica e menor apetite da China por commodities brasileiras, como a soja, que registrou embarques recordes neste ano.

HEDGE

O executivo do Santander revelou que neste mês foram realizadas as primeiras operações de hedge de commodities agrícolas para seus clientes do agronegócio, algo antecipado pela Reuters há um ano.

Funcionando como um hedge cambial, o serviço oferecido pelo Santander envolve contratos financeiros aos agricultores, que podem assim travar preços de suas colheitas futuras, sem necessidade de entrega física, paralelamente aos empréstimos.

“Começamos a operar neste mês, com as primeiras operações no mercado de café, mas estamos prontos para fazer isso também com boi, açúcar e podemos fazer até com grãos”, comentou, preferindo não dar mais detalhes sobre as operações em si.

Atualmente, tradings como Bunge, Cargill e Archer Daniels Midland (ADM) costumam oferecer esse tipo de serviço aos agricultores.

CRÉDITO

Segundo o executivo, a carteira de crédito rural da instituição deve fechar 2018 em torno de 16 bilhões de reais, ante 13 bilhões em 2017. Com tal desempenho, o Santander Brasil fica na quinta posição entre os maiores provedores de empréstimos ao setor agropecuário, em um ranking ainda liderado de longe pelo Banco do Brasil.

O diretor avaliou ainda que os produtores rurais não deverão ter problemas com a oferta de crédito para esta safra, mesmo diante da escassez de linhas subsidiadas.

“Os bancos privados e públicos continuam emprestando a taxas normais, o mercado descobriu que consegue viver sem subsídio. Com a (taxa) Selic baixa, não precisa subsidiar tanto o setor”, disse, prevendo que a taxa básica de juros siga em torno de 6,5 por cento ao ano em 2018, com o dólar na atual faixa de 3,80 reais.

“Imagino que o mercado siga crescendo sem crédito subsidiado até o meio do próximo ano. Nossa expectativa é de que no governo novo seja cada vez menor essa coisa de subsídio”, concluiu.

Por José Roberto Gomes

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