January 18, 2019 / 5:56 PM / in 5 months

ArcelorMittal vai construir usina de dessalinização para siderúrgica no ES

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo siderúrgico ArcelorMittal vai construir uma usina de dessalinização de água do mar para reduzir a dependência de sua usina no Espírito Santo da companhia estadual de abastecimento Cesan e evitar ter que reduzir produção em momentos de crise hídrica como as ocorridas no Estado em 2015 e 2016.

A companhia está em processo final de seleção do fornecedor da usina, a segunda maior do grupo no mundo em capacidade de produção e maior das Américas, em uma lista que inclui seis grupos interessados, disse o vice-presidente de operações da ArcelorMittal Brasil Aços Planos, Jorge Ribeiro.

O executivo afirmou nesta sexta-feira que a escolha do fornecedor deve ocorrer em fevereiro e inclui grupos da Índia, Estados Unidos e da Espanha entre os interessados.

A usina terá um primeiro módulo com capacidade para dessalinizar 500 metros cúbicos de água do mar por hora e em momentos como o atual, em que a oferta de água da Cesan está normalizada, poderá ser ativada abaixo da capacidade total para reduzir esse consumo. “É um processo modular, podem ser acrescentados mais módulos no futuro”, disse Ribeiro.

O investimento previsto na usina é de cerca de 50 milhões de reais e o empreendimento deve entrar em operação em dois anos.

O presidente-executivo da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista Filho, lembrou que, na crise hídrica no Espírito Santo em 2015, a empresa recebeu notificação do governo estadual para reduzir seu consumo de água da Cesan em 30 por cento, justamente em um momento em que a siderúrgica estava voltando à plena carga, com seus três alto-fornos.

“Os especialistas dizem que tem essa fragilidade no Estado (ES) e com certeza num intervalo de cinco ou seis anos teremos um ano pelo menos com problema (na oferta de água)”, disse Baptista Filho.

“O que estamos fazendo é um seguro, porque se houver outro evento de racionamento, poderemos responder...Se houver outro racionamento, sem a dessalinização, teríamos que parar parte da produção.”

Baptista Filho afirmou que a capacidade instalada da ArcelorMittal na usina no Espírito Santo é de 7,7 milhões de toneladas de aço por ano. O recorde foi atingido em 2017, com 7,2 milhões de toneladas produzidas. Em 2018, a produção deve ter atingido 7,1 milhões, afirmou.

Segundo o presidente-executivo, a usina de dessalinização será a primeira do Brasil de grande porte a operar exclusivamente com água do mar e a primeira do tipo do grupo ArcelorMittal no mundo. A usina terá tecnologia de osmose reversa, já amplamente usada por Israel para captação de água do mar, e consumirá energia elétrica produzida na própria usina siderúrgica.

BATERIAS DE COQUE/EUROPA

Além da implantação do projeto de dessalinização, a usina da ArcelorMittal Brasil também está em processo de substituição de uma de suas três baterias de coque, em um investimento de 523 milhões de reais.

Conforme Ribeiro, as obras civis para substituição da bateria 1 de coque, formada por 49 fornos, já foram contratadas e devem começar no início do segundo semestre, após recebimento de licença de implantação. A nova unidade deve entrar operação em 2022. O fornecimento foi contratado junto à ThyssenKrupp.

“O objetivo não é aumento de produção, mas assegurar a capacidade nominal da usina”, disse Ribeiro.

Questionado sobre eventual impacto sobre a decisão europeia de restringir importações de aço, o presidente-executivo da ArcelorMittal Brasil afirmou que a medida da União Europeia não trará problemas para a operação brasileira.

“Não tem impacto nenhum porque não exportamos produtos para a Europa. A ArcelorMittal já está na Europa e não vamos competir com nós mesmos. Mandamos para lá apenas material semiacabado, e placas ficaram de fora da decisão europeia”, afirmou.

Na véspera, a UE decidiu limitar importações de aço pelo bloco até julho de 2021, em resposta às sobretaxas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado. O plano da UE envolve uma cota estabelecida pelo nível médio de importações nos últimos três anos, mais 5 por cento. Uma tarifa de 25 por cento será aplicada uma vez que essa cota é preenchida.

Por Alberto Alerigi Jr.

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