January 24, 2019 / 4:35 PM / 3 months ago

Brasil deve exportar mais milho que soja em janeiro pela 1ª vez em um ano

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deverá exportar em janeiro mais milho que soja pela primeira vez em um ano, embora as vendas da oleaginosa ainda se mantenham em patamares elevados, podendo fechar o mês com volume recorde para o período, conforme dados do governo e de agendamento de navios compilados pela Reuters.

Grãos de milho em galpão de armazenamento. 21/02/2018. REUTERS/Henry Romero

A exportação de milho no Brasil geralmente tem maior protagonismo no segundo semestre de cada ano, dada a colheita da “safrinha” e a entressafra de soja. Em 2017, por exemplo, o cereal “vence” a oleaginosa de setembro até dezembro.

Mas, ao longo de 2018, os exportadores impulsionaram as vendas de soja na esteira de uma colheita recorde e um forte apetite da China diante da guerra comercial com os Estados Unidos. Além disso, a safra de milho do Brasil quebrou, reduzindo a oferta do cereal.

A inversão de janeiro, contudo, tende a ser revertida já no próximo mês, já que os trabalhos de campo estão adiantados com a soja, puxando a oferta para embarques, disseram analistas ouvidos pela Reuters.

Conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até a terceira semana de janeiro a exportação de milho somou 2,80 milhões de toneladas, e mais 740,50 mil toneladas são esperadas até o fim do mês, tendo por base dados da agência marítima Williams. Assim, seriam enviados ao exterior em torno de 3,55 milhões de toneladas do cereal.

Quanto à soja, a exportação nas três primeiras semanas de janeiro foi de 1,34 milhão de toneladas, com mais 1,21 milhão agendado até 31 de janeiro, o que leva a um provável volume de quase cerca de 2,5 milhões de toneladas em embarques totais.

Caso se confirme, será a primeira vez que as vendas externas mensais de milho superam as de soja desde janeiro de 2018, quando foram enviados ao exterior 3 milhões e 1,56 milhões de toneladas de cada commodity, respectivamente.

O Brasil é o maior exportador mundial de soja e um dos maiores de milho, ao lado de Argentina e Ucrânia, em ranking liderado pelos EUA.

RECORDE PARA SOJA

Os 2,5 milhões de toneladas de soja seriam, aliás, uma quantidade recorde para o mês, conforme a série histórica da Secex com início em 2006, apesar de o Brasil ter passado de uma safra para outra com estoques mínimos, após recordes nas exportações da oleaginosa no ano passado.

“2018 foi um ano em que a prioridade de exportação foi para a soja. A janela de exportação de milho foi sendo empurrada. E na verdade foi empurrada muito mais do que a gente imaginava... Janeiro deve vir um volume alto (de milho). A partir de fevereiro já deve voltar a chave para soja, até pela questão de liquidez”, disse o analista Victor Ikeda, do Rabobank.

A retomada dos embarques de soja do Brasil a um ritmo mais forte, em linha com a colheita adiantada, é bastante aguardada no exterior. Isso porque os chineses, maiores importadores, estão comprando o produto nos EUA com tarifas elevadas aplicadas em meio à guerra comercial, desde meados do ano passado.

Com relação ao milho, o analista do Rabobank prevê que a exportação do Brasil deverá voltar “à normalidade” este ano, com a recomposição de oferta e exportações maiores a partir de agosto, setembro”, acrescentou.

Conforme ele, o Brasil tem potencial para exportar de 70 milhões a 71 milhões de toneladas de soja neste ano e em torno de 30 milhões de milho. Em 2018, foram cerca de 84 milhões e 23 milhões, respectivamente.

Em boletim, a Scot Consultoria também destacou que os envios de soja devem ganhar ritmo já a partir do fim deste mês.

“A expectativa é de que os embarques (de milho) diminuam gradualmente nas últimas semanas de janeiro em diante, conforme avançam as exportações de soja”, destacou a consultoria.

“Por ora, o bom ritmo das exportações, e as revisões para baixo na produtividade da safra de verão 2018/19, em função da falta de chuvas em importantes regiões produtoras, colaboram com o cenário de preços firmes para o milho no mercado interno”, comentou a Scot.

Por José Roberto Gomes, com reportagem adicional de Ana Mano e Roberto Samora

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