January 28, 2019 / 11:07 AM / in 5 months

Tragédia em Brumadinho deve derrubar ação da Vale; analistas recomendam cautela

SÃO PAULO (Reuters) - A tragédia envolvendo o rompimento de uma barragem de mineração em Brumadinho (MG) na sexta-feira, que até o momento deixou 58 pessoas mortas e mais de 300 desaparecidas, tende a pressionar as ações da Vale (VALE3.SA) nesta segunda-feira, com analistas enxergando queda de dois dígitos, em linha com o movimento dos ADRs da mineradora na última sexta-feira, e recomendando cautela dado o ambiente de incertezas para os papéis em razão dos potenciais desdobramentos do acidente.

27/1/2019 REUTERS/Adriano Machado

Na última sexta-feira, quando a bolsa paulista esteve fechada por feriado em São Paulo, os American depositary receipts da companhia VALE.N, recibos das ações negociados nos Estados Unidos, fecharam em queda de 8 por cento, a 13,66 dólares, mas, no pior momento, caíram 13,5 por cento.

Os analistas Leonardo Correa e Gerard Roure, do BTG Pactual, afirmaram que a forte queda nos ADRs já representou uma perda de 6 bilhões de dólares no valor de mercado da Vale, o que poderia, matematicamente, ser entendido que os potenciais danos financeiros à empresa já estariam precificados, conforme relatório a clientes no final do domingo.

“Por outro lado, a situação agora é muito diferente (aspecto humano, em relação ao caso de Mariana), e acreditamos que a resposta regulatória provavelmente será mais agressiva. Simplificando, o aspecto intangível (neste momento não quantificável) deste incidente é o que mais nos preocupa, e no final do dia toda a indústria de mineração precisará repensar o modelo atual”, afirmaram.

“Nós esperaríamos por um melhor ponto de entrada à frente, uma vez que a ação deve continuar sob pressão até que se tenha mais clareza sobre o horizonte”, afirmaram os analistas, que têm recomendação de ‘compra’ para os ADRs da Vale, com preço-alvo de 20 dólares por papel. Correa e Roure afirmaram ter sido “verdadeiramente surpreendidos” com o evento, citando que, desde o acidente com a Samarco, a Vale investiu em uma série de medidas para inspecionar e garantir que as operações existentes fossem seguras.

Esse é o segundo desastre do tipo evolvendo a Vale em pouco mais de três anos. O número de mortos já supera as 19 vítimas fatais do rompimento em 2015 de uma barragem em Mariana, também em Minas Gerais, da Samarco, uma joint venture da Vale com a BHP (BHP.AX).

Após reunião do conselho de administração da Vale no domingo, a companhia suspendeu o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, a recompra de ações de sua própria emissão e os pagamentos de remuneração variável a executivos.

Analistas no HSBC cortaram a recomendação dos ADRs da companhia para ‘manter’ ante ‘compra’, bem como o preço-alvo para 14,5 dólares ante 17,5 dólares. A Jefferies também reduziu sua recomendação para os ADRs para ‘manter’ de ‘compra’, com o preço-alvo caindo de 18 para 14 dólares.

Para o analista Karel Lucetic, da XP Investimentos, o papel deve mostrar na abertura desta segunda-feira movimento parecido ao da última sexta-feira em Nova York e ele também afirma que tal declínio parece já refletir parte relevante dos riscos e assim mantém a recomendação de ‘compra’ para as ações com horizonte de médio a longo prazo. “Entretanto, uma série de incertezas em relação ao impacto no curto prazo permanecem, portanto sugerimos cautela.”

Para o analista Thiago Lofiego e sua equipe no Bradesco BBI, que têm recomendação ‘outperform’ para os ADRs, com preço-alvo de 20 dólares, o impacto financeiro da tragédia em Brumadinho não deve superar o do acidente envolvendo a Samarco. No entanto, “acreditamos que o desempenho do preço das ações pode ser prejudicado no curto prazo, à medida que o fluxo de notícias sobre possíveis multas e custos se intensificam”, afirmam em relatório a clientes, ressaltando a “sólida posição de alavancagem financeira da Vale, implicando pouco dano do ponto de vista do balanço patrimonial”.

O Ministério Público de Minas Gerais informou no domingo que a Justiça mineira bloqueou mais 5 bilhões de reais da Vale para garantir a reparação de danos causados às vítimas do rompimento, ampliando para 11 bilhões de reais o total de recursos da mineradora bloqueados pela Justiça devido ao incidente.

No exterior, os futuros do minério de ferro subiram para máxima em 16 meses nesta segunda-feira após a Agência Nacional de Mineração ordenar que a Vale suspenda as operações de sua mina Córrego do Feijão devido ao rompimento fatal de uma barragem.

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