January 28, 2019 / 2:57 PM / 19 days ago

Ministro defende mudança em acúmulo de rejeitos de mineração após desastre

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria mineradora do Brasil precisa substituir técnica de acúmulo de rejeitos de minérios em barragens, por tecnologia a seco onde for possível, e estruturas existentes serão fiscalizadas, em ordem de prioridade, afirmou nesta segunda-feira o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em entrevista à Globonews.

Imagens de satélite de antes e depois de barragem da Vale em Brumadinho que rompeu na semana passada ©2019 DigitalGlobe, a Maxar company/Divulgação via Reuters

As afirmações ocorrem após rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG), na sexta-feira, que matou dezenas de pessoas e deixou centenas desaparecidas.

“No caso específico das barragens, havendo alternativa técnica, não tem porque manter algo superado, algo antigo e que tem um risco inerente, que é esse modelo de barragens, sobretudo essa, construída a montante que mostrou sua fragilidade”, disse Salles.

“O que a indústria mineradora precisa agir rapidamente? Substituir a técnica superada de barragem, (pela de) mineração sistema ‘dry’, que é o a seco, não sei se em todos os casos isso é possível, mas em todos que for, precisa fazer e rápido.”

O ministro destacou que há mais de 700 barragens em funcionamento em situações análogas, que precisam ser fiscalizadas urgentemente no Brasil, priorizando as que demandam maior emergência.

“Estamos trabalhando para dar uma resposta que seja viável, factível, sem exageros, mas que tenha uma conclusão, uma resposta à sociedade imediata”, afirmou.

Salles ressaltou declaração da Vale de que a barragem que se rompeu em Brumadinho estava paralisada há cerca de três anos e que isso gera ainda mais preocupação em relação às demais estruturas que estão em operação.

O desastre ocorreu pouco mais de três anos após o rompimento de uma barragem da Samarco (joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP), em Mariana (MG), que deixou 19 mortos, centenas de desabrigados, e poluiu o rio Doce, no maior desastre ambiental do país.

“Nós precisamos ser muito incisivos nisso, ter muita objetividade e exigir rapidamente uma solução que seja inclusive diferente do que aconteceu após Mariana, nesses três anos que se passaram. Tem que tomar a lição de Mariana, do porquê que não foi eficiente o processo de reparação e prevenção pós-Mariana, para que isso não aconteça nesse momento também”, afirmou.

MUDANÇAS REGULATÓRIAS

Salles adiantou que o governo planeja realizar mudanças estruturais do trabalho do ministério, que ele acredita não estar sendo realizado de forma eficiente.

“Porque hoje você está usando o grupo de analistas e técnicos para cuidar de tudo no mesmo patamar, praticamente, está equivocado. Nós precisamos colocar o foco nas prioridades e essa ausência de foco fez com que a gente tivesse um processo de licenciamento e de fiscalização ineficiente”, afirmou.

Segundo o ministro, chegou a hora do país ter uma atuação mais incisiva, coordenar as diversas esferas, os órgãos estaduais e federais, Agência Nacional de Mineração, Ibama, os estaduais de fiscalização de meio ambiente. “Tem que ter mais foco, mais eficiência”, afirmou.

Por Marta Nogueira

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