March 6, 2019 / 3:50 PM / 5 months ago

BR-163 deve ficar fechada ao menos até sexta-feira, impactando escoamento de soja

SÃO PAULO (Reuters) - O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) disse que um trecho da rodovia BR-163, que liga o cinturão agrícola do país aos portos do norte, está intransitável e deve permanecer fechado até ao menos sexta-feira, segundo um comunicado na terça-feira.

Motorista dirige caminhão na BR-163 28/09/2012 REUTERS/Nacho Doce

O trecho da rodovia, entre as cidades de Moraes Almeida e Novo Progresso, no Pará, “está degradado”, e ações urgentes foram necessárias para reparar a estrada em cinco segmentos, de acordo com o comunicado.

A interrupção ressalta problemas crônicos de infraestrutura no Brasil, apesar de a participação dos portos do chamado Arco Norte nas exportações de soja e milho do país ter dobrado em oito anos, para 28 por cento do total em 2018, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Os terminais do norte fornecem uma porta alternativa para a Europa, os Estados Unidos e, especialmente, a Ásia, devido à proximidade com o Canal do Panamá.

O Brasil exportou 29,6 milhões de toneladas de soja e milho via portos do norte no ano passado, acima dos 6,1 milhões de toneladas em 2010, segundo dados da Antaq.

No início desta semana, o DNIT fechou um trecho da BR-163 para o tráfego de caminhões entre as cidades de Santa Helena e Guarantã do Norte, em Mato Grosso, maior Estado produtor de soja, até que os trabalhos de reparo em trechos à frente estivessem completos.

Enquanto o lado mato-grossense da rodovia é totalmente asfaltado, trechos da BR-163 no Pará não são. Os fechamentos em Mato Grosso permanecerão até que os problemas à frente sejam resolvidos, disse o DNIT.

Em fevereiro de 2018, caminhões carregados principalmente com soja ficaram presos na altura de Moraes Almeida depois que bloqueios do Exército interromperam o tráfego para limpar a estrada para manutenção e construção.

A BR-163 conecta o cinturão de grãos do Brasil aos terminais fluviais de Miritituba e Santarém, mas obstruções são comuns nesta época do ano, porque as fortes chuvas na região amazônica coincidem com a colheita de soja dos agricultores no Centro-Oeste.

A cada ano, longas filas de caminhões se formam em algumas cidades de Mato Grosso e Pará, devido ao mau estado da BR-163. Produtores de grãos e exportadores dizem que isso compromete a reputação do país como um exportador confiável.

O DNIT disse nesta semana que o governo federal concluirá os trabalhos de pavimentação da BR-163 “até o final de 2019”.

Mas as autoridades já haviam prometido terminar o trabalho de pavimentação até o final de 2018 há duas safras atrás, quando cerca de 2 mil caminhões ficaram presos ao longo da BR-163 na estação chuvosa, em fevereiro.

Por Ana Mano

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