June 14, 2019 / 6:10 PM / in a month

Guedes diz que servidores "privilegiados" pressionaram por cortes na Previdência

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstrou nesta sexta-feira irritação com o parecer apresentado na véspera pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP) e disse que os deputados “abortaram” a reforma da Previdência se o projeto autorizado pelo relatório for o aprovado.

Ministro da Economia, Paulo Guedes 14/05/2019 REUTERS/Adriano Machado

O ministro afirmou que os cortes sobre a proposta original foram maiores que o estimado e disse que a exclusão de Estados e municípios do parecer foi um recuo ditado por “pressões corporativas de servidores do Legislativo”, que ele classificou como “privilegiados”.

“Entregamos uma proposta de 1,2 trilhão de reais e esperava que cortassem BPC e (aposentadoria) rural, e que ficasse em 1 trilhão”, afirmou Guedes após encontro fechado no consulado da Itália no Rio de Janeiro.

Durante a entrevista, o ministro falou várias vezes sobre o número de 860 bilhões de reais como estimativa para a economia com a reforma da Previdência ao longo de dez anos, baseado no parecer do deputado Samuel Moreira.

Questionado pela Reuters sobre o valor de 913 bilhões de reais que circulou ontem na comissão especial da Câmara, Guedes disse que essa cifra maior inclui imposto sobre bancos, o que para ele é política tributária.

“Estão buscando (recursos) de PIS/Padep, mexendo em fundos. Estão botando a mão no dinheiro no bolso dos outros”, afirmou Guedes em tom de irritação.

“Vou respeitar a decisão da Câmara, mas se aprovarem a reforma do relator... (os deputados) abortaram a Nova Previdência e mostraram que não há compromisso com as futuras gerações”, disse Guedes. “O compromisso com servidores públicos do Legislativo parece maior do que com as futuras gerações.”

Guedes estimou que, aprovada a reforma da Previdência proposta pelo parecer do Samuel Moreira, será necessária uma nova alteração nas regras para aposentadorias em cinco ou seis anos.

O ministro ainda ironizou os protestos realizados nesta sexta-feira em várias cidades do país contra a reforma da Previdência e cortes na Educação.

“Acho que devia fazer (protesto) sábado e domingo em vez de engarrafar a cidade para fingir que tem muito movimento”, disse.

Por Rodrigo Viga Gaier; Texto de José de Castro; Edição Camila Moreira

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below