September 12, 2019 / 12:03 PM / 2 months ago

BCE corta juros e promete estímulos "pelo tempo necessário"

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) prometeu nesta quinta-feira um suprimento indefinido de novas compras de ativos e reduziu as taxas de juros para território ainda mais negativo, num esforço para sustentar a economia da zona do euro, em medidas que foram saudadas pelos mercados financeiros.

Fachada do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha 07/03/2019 REUTERS/Kai Pfaffenbach

Nas últimas semanas de mandato do presidente do BCE, Mario Draghi, as medidas aumentarão a pressão sobre o Federal Reserve e o Banco do Japão (BOJ) para relaxar suas políticas monetárias na próxima semana, a fim de apoiar uma economia mundial cada vez mais marcada por baixo crescimento e ameaças protecionistas ao livre comércio.

No entanto, houve dúvidas imediatas sobre se as medidas do BCE —as poucas restantes em seu arsenal de política monetária— seriam suficientes para impulsionar uma recuperação da zona do euro diante de uma guerra comercial entre EUA e China e possíveis novos reveses no processo do Brexit.

O BCE cortou sua taxa de depósito em 10 pontos-base, para uma mínima recorde de -0,5%; prometeu que as taxas permaneceriam baixas por mais tempo e disse que reiniciaria as compras de títulos a um ritmo de 20 bilhões de euros por mês a partir de 1º de novembro.

A diretoria do BCE “espera que (as compras de títulos) durem o tempo necessário para reforçar o impacto acomodatício de sua política monetária e terminem pouco antes de começar a aumentar as principais taxas de juros do BCE”, afirmou o banco em comunicado.

Considerando que os mercados não esperam que as taxas subam por um período de quase uma década, essa formulação sugere que as compras podem continuar por anos —uma eventualidade que Draghi não desafiou.

“Temos uma margem de manobra relevante para continuar por muito tempo nesse ritmo, sem a necessidade de levantar a discussão sobre limites”, disse ele em entrevista coletiva após a reunião.

As informações provocaram um rali nos títulos da zona do euro —o que reduziria o custo dos empréstimos no bloco de 19 países— e empurraram o euro para abaixo de 1,10 dólar, alimentando expectativas de que a inflação possa subir.

O presidente dos EUA, Donald Trump —que nesta semana pediu ao Federal Reserve dos EUA que acompanhe outros bancos centrais na adoção de taxas de juros negativas— acusou o BCE de buscar um ganho comercial ao depreciar deliberadamente o euro em relação ao dólar.

“E o Fed senta, senta e senta. Eles são pagos para pedir dinheiro emprestado, enquanto estamos pagando juros!”, disse Trump no Twitter.

AJUDA PARA OS BANCOS

O corte da taxa de juros, no entanto, aumentará o custo para os bancos comerciais de deixar seus mais de 1 trilhão de euros em excesso de reservas no banco central. O BCE disse que compensaria os credores por parte desse encargo para garantir que eles continuem a emprestar à economia real.

O BCE também facilitou os termos de seu empréstimo de longo prazo para os bancos e disse que introduzirá um mecanismo de taxa de depósito de vários níveis para ajudá-los.

Draghi —cuja promessa em 2012 de que o BCE faria “o que for preciso” para salvar o euro é vista como o fator a ajudar a restaurar a estabilidade no auge de sua crise de dívida da região— enfatizou que o bloco monetário precisava de mais apoio.

“As informações recebidas desde a última reunião do Conselho do BCE indicam uma fraqueza mais prolongada da economia da zona do euro, a persistência de riscos significativos de queda e as pressões inflacionárias silenciosas”, disse ele.

De fato, o programa inicial, sem precedentes, de compra de títulos de 2,6 trilhões de euros do BCE desde a crise financeira teve sucesso limitado em estimular a atividade.

Dados divulgados mais cedo mostraram que a produção industrial da zona do euro caiu pelo segundo mês em julho, enquanto o instituto alemão Ifo previu uma recessão na potência econômica da Europa, a Alemanha, no terceiro trimestre.

“A postura mais agressiva do BCE fará diferença? Não muito”, concluiu o analista Holger Schmieding, da Berenberg.

“Uma série de choques externos, notadamente a guerra comercial EUA-China e a bagunça do Brexit, tem prejudicado a recuperação da zona do euro. Em meio a essa incerteza generalizada, custos de financiamento ainda mais baixos para famílias e empresas não aumentam significativamente o consumo e/ou o investimento comercial.”

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