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Bunge vê safra do Brasil escoando sem transtornos apesar de coronavírus

SÃO PAULO (Reuters) - A gigante do agronegócio Bunge avalia que a safra de soja do Brasil está sendo escoada sem transtornos apesar de todos os cuidados exigidos pelo coronavírus, e tem registrado um aumento na contratação digital de fretes rodoviários por meio de um sistema recém-lançado pela companhia, disse à Reuters o diretor de Logística da empresa para a América do Sul.

Caminhão é carregado com soja em Sorriso (MT) 27/09/2012 REUTERS/Nacho Doce

Na avaliação de Makoto Yokoo, o aplicativo Vector, no qual o caminhoneiro pode se conectar com a empresa via celular na busca de uma carga para transportar, acaba sendo um instrumento importante para evitar o contato pessoal em tempos de coronavírus, doença que acabou acelerando o uso do sistema digital.

De acordo com o executivo, aplicativo lançado em janeiro registrou forte aumento das contratações de frete. Por meio do Vector, a empresa fechou transporte para 500 mil toneladas de grãos (principalmente soja) em dez dias de abril, ante outras 500 mil na segunda quinzena de março. Inicialmente, para obter tais volumes pelo aplicativo, a empresa levou cerca de dois meses.

“Houve uma aceleração muito grande na utilização do Vector, o motorista pode fazer a operação na palma da mão dele, elimina toda a necessidade de deslocamento, contato...”, disse o executivo, observando que a ocorrência do coronavírus no mesmo período do lançamento do produto foi uma coincidência.

“O aplicativo acaba sendo uma ferramenta importante não só para o motorista, vem ajudando a mitigar o contato...”, comentou o diretor da Bunge, que movimenta anualmente mais de 25 milhões de toneladas em grãos no Brasil.

No transporte de commodities, a companhia gasta cerca de 3,5 bilhões de reais ao ano.

“Até o final do primeiro trimestre, exportamos 2,6 milhões de toneladas (principalmente soja). Dadas as proporções da crise (do coronavírus), diria que a safra está sendo escoada sem maiores problemas”, afirmou.

O executivo não forneceu dados comparativos da empresa com 2019.

O Brasil exportou 21,4 milhões de toneladas de soja no primeiro trimestre, aumento de 17% ante o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), que citou a demanda da China como fator primordial para este aumento. Em março, os volumes embarcados foram recordes, e eles podem ser batidos em abril, segundo a Anec.

O diretor da Bunge comentou ainda que o setor de transporte de alimentos do Brasil está “extremamente engajado” para que os fluxos não sejam afetados pelo impacto das medidas contra o Covid-19, e ressaltou que “a despeito de todas as dificuldades, temos observado que a safra está sendo escoada sem grandes transtornos”.

APLICATIVO AJUDA NAS MARGENS

Há outros sistemas semelhantes ao da Bunge para contratar o transporte rodoviário digitalmente, mas Yokoo ressaltou que o Vector é estratégico para a companhia, pois é um componente da transformação digital da empresa.

Além disso, o Vector elimina intermediários no processo de contratação de frete.

A Bunge segue utilizando a modalidade anterior de contratação de frete, na qual o motorista precisa ir até os escritórios da empresa em busca de carga. Mas o executivo disse que a adesão ao sistema digital tem superado expectativas.

A companhia tinha como meta obter, até final do ano, o cadastro no Vector de 80% dos 60 mil motoristas ativos que prestam serviços para a Bunge. E, disse o executivo, em cerca de três meses, 45% daqueles motoristas já aderiram.

Com o Vector a companhia tem expectativa de melhorar margens, uma vez que o frete é um importante componente dos custos.

“Essa eficiência vai se traduzir em redução de custos para a Bunge. Em uma base de 3,5 bilhões de reais (em despesa com transporte), qualquer redução percentual, por menor que seja, representa uma ganho significativo no resultado”, declarou.

Yokoo atribui o bom desempenho do aplicativo nestes primeiros meses à simplicidade para o cadastro, para o qual basta ao motorista tirar uma foto da CNH e uma “selfie” que o sistema completa as informações automaticamente.

A partir daí, o profissional já pode visualizar os fretes, selecionar e agendar o carregamento, além de obter o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CTe), documento necessário para a movimentação de cargas.

Por Roberto Samora

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