July 14, 2020 / 6:29 PM / a month ago

Variação conjuntural no desmatamento não pode balizar julgamento sobre Brasil, defende Economia

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia defendeu nesta terça-feira que mudanças conjunturais no desmatamento não podem balizar o julgamento das políticas de governo, acrescentando ainda que o número de focos de queimadas no país caiu no acumulado deste ano na comparação com igual período de 2019.

Área queimada da floresta Amazônica perto de Alter do Chão, Santarém, PA 19/09/2019 REUTERS/Ricardo Moraes

Em nota informativa, o ministério defendeu que o Brasil está entre os países que mais preservam o meio ambiente no mundo e que o país tem sido um porto seguro importante para o fluxo de investimentos diretos estrangeiros.

“Variações nos índices de desmatamento conjunturais de curto prazo não podem ser o balizador para se julgarem as políticas de governo. Por exemplo, os incêndios florestais que ocorreram na Austrália no ano passado, e que destruíram área 2,5 vezes maior que a do desmatamento na Amazônia no mesmo ano, não podem ser atribuídos a uma política deliberada do governo daquele país”, afirmou a nota.

“Fundamental se faz distinguir dados conjunturais, muitas vezes influenciados por questões exógenas (como o clima por exemplo) de uma política estrutural de longo prazo adotada pelo governo”, acrescentou.

A nota pede ainda que todos, mas em especial os investidores internacionais, façam “essa diferenciação entre eventos conjunturais e políticas de governo robustas voltadas para o meio-ambiente que resultam nos elevados níveis de preservação da vegetação nativa brasileira”.

A pasta exibiu, no documento, um gráfico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontando que o número de focos de queimadas no Brasil sofreu variação negativa entre 1º de janeiro a 12 de julho sobre o acumulado do ano passado.

Na análise mês a mês para os focos de queimadas na Amazônia, especificamente, um segundo gráfico publicado pelo ministério mostra que não houve mudança significativa nos dados de junho sobre um ano antes, embora o gráfico não especifique valores nominais para os períodos.

“Embora a extensão das áreas sob aviso de desmatamento na Amazônia tenha crescido em junho, tais números ainda precisam ser confirmados e eles não são corroborados, até agora pelo menos, pelos focos de queimadas na região”, disse o ministério.

Números preliminares do Inpe divulgados na semana passada mostraram que o desmatamento na Amazônia Legal cresceu pelo 14º mês consecutivo em junho, aumentando a pressão sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro em um momento em que investidores e empresários passaram a cobrar do presidente uma ação mais efetiva contra a destruição da floresta.

De acordo com os dados do Deter, programa de satélite usado para acompanhar em tempo real o desmatamento, a derrubada da floresta aumentou 10,7% em junho comparado com o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, a área devastada cresceu 25%, chegando a 3.066 quilômetros quadrados.

Na segunda-feira, inclusive, o governo exonerou a coordenadora-geral de Observação da Terra do Inpe, Lubia Vinhas, área responsável pela recepção e geração de imagens de satélite e pelo Deter.

Também na segunda-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu cooperação internacional na área ambiental, afirmando que o Brasil precisa de apoio e compreensão no seu esforço de fiscalizar a preservação dos seus recursos naturais.

Em discurso na sessão de abertura de cúpula ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com países da América Latina e Caribe, Guedes disse que o Brasil é um dos países que melhor defendem seus recursos naturais e sabe respeitar o meio-ambiente e os povos indígenas, mas argumentou que o território é grande e que o governo precisa de apoio para atuar “da melhor forma possível”.

Nesta terça-feira, uma série de ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central lançaram carta com um apelo pela retomada da economia com responsabilidade social e ambiental, num momento em que investidores globais têm feito exigências quanto a contenção de desmatamentos para seguirem colocando recursos no país.

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