July 22, 2020 / 7:07 PM / 24 days ago

Rússia faz primeiras vendas de trigo ao Brasil em 2020, outros acordos são possíveis, dizem fontes

MOSCOU/SÃO PAULO (Reuters) - A Rússia vendeu duas cargas de trigo ao Brasil neste mês, somando 60 mil toneladas, nas primeiras compras feitas pelos brasileiros do produto russo neste ano, segundo fontes com conhecimento do assunto.

Caminhão descarrega trigo após colheita em Stavropol, na Rússia 04/07/2019 REUTERS/Eduard Korniyenko

As compras do cereal russo, confirmadas por duas fontes das tradings Sodruzhestvo e Glencore, que fizeram um acordo cada, são relativamente atípicas, uma vez que o Brasil adquire a maior parte de suas necessidades em países do Mercosul, sem pagar tarifas.

Além disso, o produto da Rússia só pode ser processado em moinhos nos portos, por questões fitossanitárias, o que limita os acordos, que normalmente ficam mais restritos a países da América do Norte quando realizados fora do bloco comercial.

Em todo o ano passado, o Brasil importou 91,7 mil toneladas da Rússia, segundo dados do governo brasileiro, enquanto em 2018 foram apenas 26,2 mil toneladas.

Pelo menos outros dois acordos com trigo russo, contudo, teriam sido fechados recentemente, segundo outras duas fontes, que falaram na condição de anonimato. Esses negócios adicionais não puderam ser confirmados.

Integrantes do mercado avaliam que este ano o potencial de negócios de brasileiros com fornecedores do hemisfério norte é maior, após o Brasil ter estabelecido, ao final de 2019, uma cota de 750 mil toneladas/ano para importações isentas da taxa de 10% de fora do Mercosul.

Além disso, a expectativa é de importações recordes de 7,3 milhões de toneladas pelo Brasil em 2020, em meio a um consumo firme de produtos derivados de trigo diante da pandemia, que levou os consumidores adotarem medidas de isolamento, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O Brasil importou cerca de 3,5 milhões de toneladas de trigo no primeiro semestre, alta de pouco mais de 150 mil toneladas ante volume do mesmo período de 2019, tendo a Argentina como principal fornecedora, com 3,12 milhões de toneladas, ante 2,96 milhões de toneladas na primeira metade do ano passado.

Os Estados Unidos aparecem em segundo, com 172 mil toneladas (versus 72 mil toneladas no primeiro semestre de 2019), seguido por Paraguai e Uruguai, com pouco 97 mil e 80 mil toneladas, respectivamente.

Além das importações já feitas do produto dos EUA no semestre, há mais a caminho. Desde o final de maio o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) já registrou cerca de 140 mil toneladas de vendas de trigo HRW ao Brasil.

COTA EXTRA

Com a crise do coronavírus e a disparada do dólar para máximas históricas este ano, a indústria do trigo do Brasil, um dos maiores importadores globais do cereal, conseguiu em junho uma cota adicional para importação de 450 mil toneladas extra bloco comercial, sem tarifa.

“Acredito em volumes expressivos (de fora do Mercosul), o povo está cobrindo agosto e setembro. Vai bater a cota de 750 mil. A não ser que alguma coisa destrave a Argentina”, disse um operador de tradicional moinho de São Paulo, explicando que produtores argentinos estão lentos para negociar em meio à crise.

Essa fonte, que disse ter tido informação sobre quatro acordos envolvendo trigo russo, afirmou que as compras do Brasil de várias origens também poderiam avançar para a cota extra.

Segundo o interlocutor, o trigo da Rússia virá para moinhos do Nordeste —para essa região, faz menos sentido logístico esperar a entrada da nova safra do cereal nacional, que estará disponível em mais um mês, nos Estados do Sul e Sudeste.

Uma segunda fonte, de uma trading na Europa, também não envolvida nos negócios, disse ter tido informação de compras de cinco a seis cargas de trigo russo pelo Brasil.

Uma das vendas confirmadas, feita pela trading Sodruzhestvo, terá embarque a partir do Mar Negro, e a outra pela Glencore, com a mesma origem para despacho, segundo fontes nas duas companhias.

Uma fonte da Sodruzhestvo disse nesta quarta-feira que um novo acordo com Brasil seria possível, mas não havia nada decidido.

Por Polina Devitt e Olga Popova, em Moscou, e Roberto Samora, em São Paulo

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