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Com clima seco, produção de açúcar no CS salta 37% na 2ª metade de julho

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de açúcar das usinas do centro-sul do Brasil na segunda quinzena de julho teve um salto de 37,7% ante mesmo período da safra anterior, para 3,41 milhões de toneladas, disse a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), com o clima seco e preços atrativos levando as usinas a direcionar mais cana para fabricação do adoçante.

Colheita de cana-de-açúcar em Sertãozinho (SP) 21/04/2007 REUTERS/Paulo Whitaker

As unidades fabris utilizaram 47,94% da cana disponível para produzir açúcar, contra 36,94% na mesma quinzena da safra anterior, mostrou a Unica em boletim nesta terça-feira.

“A decisão das usinas em ampliar a oferta do adoçante na safra atual foi influenciada pelo clima seco, que possibilitou a melhor operacionalização da colheita, pelos preços mais remuneradores para o açúcar, pela queda na demanda interna por etanol e pela melhor qualidade da cana-de-açúcar colhida”, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em nota.

A maior procura pelo açúcar se reflete nas exportações, ressaltou a Unica. Conforme dados do governo citados pela associação, o país exportou 3,48 milhões de toneladas em julho --recorde para o mês.

No acumulado de janeiro a julho de 2020, a quantidade total exportada soma 14,63 milhões de toneladas, 57,1% superior ao registrado em mesmo período de 2019, disse a Unica.

A produção no acumulado da safra 2020/21 até o final de julho totalizou 19,7 milhões de toneladas, com as usinas aproveitando 46,9% da cana para a produção, contra 35,25% no mesmo período da safra passada.

O diretor técnico da Unica destacou que, com aproximadamente 55% da safra concluída, o incremento total de 6,37 milhões de toneladas na produção de açúcar observado até o momento decorre principalmente da alteração do mix de produção, que contribuiu para o aumento de 5,31 milhões de toneladas.

“Os outros 1,06 milhão de toneladas resultam do avanço da moagem e da melhor qualidade da matéria-prima colhida”, afirmou.

O processamento de cana do centro-sul cresceu 1,15% na segunda metade de julho na comparação anual, para 50,47 milhões de toneladas.

No acumulado da temporada até 1º de agosto, a moagem alcançou 326,44 milhões de toneladas, contra 308,96 milhões contabilizadas em igual período do ciclo anterior, alta de 5,66%.

No que se refere à qualidade, Padua ressaltou que a concentração de açúcares na matéria-prima atingiu 148,12 kg por tonelada na segunda quinzena de julho contra 141,25 kg verificados no mesmo período da safra passada.

No acumulado, o indicador de qualidade alcançou 135,25 kg de ATR por tonelada de cana, 5,05% superior ao valor apurado no último ciclo agrícola.

Em relação ao número de usinas em operação, 261 unidades processavam cana até dia 1º de agosto de 2020, ante 258 unidades industriais em igual data do último ano.

ETANOL

A produção de etanol, por sua vez, totalizou 2,39 bilhões de litros na segunda quinzena de julho, contra 2,66 bilhões fabricados em igual período do ciclo 2019/20.

Do total produzido na quinzena, o hidratado representou 1,66 bilhão de litros e o anidro somou 735,87 milhões de litros.

O volume de produção de etanol acumulado desde o início da safra 2020/21 até 1º de agosto totalizou 14,52 bilhões de litros, queda de 6,6%.

Segundo Rodrigues, houve uma leve recuperação na demanda por combustíveis nos últimos 30 dias, mas que ainda indica que o mercado continua aquém do esperado.

“Atualmente, o estoque de etanol das usinas do centro-sul estão 30% superiores ao mesmo período do ano passado, de modo que esse volume armazenado somado a produção a se realizar é mais do que suficiente para atender a demanda dos próximos meses mesmo considerando uma recuperação significativa do consumo.”

VENDAS DE ETANOL

O volume total de etanol comercializado pelas unidades produtoras do centro-sul atingiu 2,67 bilhões de litros em julho, com queda de 9,31% na comparação com o valor registrado um ano antes, informou a Unica.

No mercado interno, as vendas de hidratado somaram 1,6 bilhão de litros no mês, registrando retração de 18,6% ante o mesmo período de 2019.

No comparativo mensal, entretanto, esse volume comercializado em julho apresentou recuperação de 8,75%.

Já as vendas de anidro atingiram 764,18 milhões de litros em julho de 2020, volume próximo do obtido em igual período de 2019 (757,61 milhões de litros).

No acumulado da safra, as vendas de etanol pelas unidades do centro-sul somam 9,04 bilhões de litros, com retração de 19,19% na comparação anual. Desse total, 798,72 milhões de litros foram destinados à exportação (+34,32%) e 8,24 bilhões ao mercado interno (-22,15%).

Por Luciano Costa e Nayara Figueiredo

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