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Mistério sobre dados da China provoca boatos de compra de títulos pelo BC local

Sede do banco central da China em Pequim. REUTERS/Jason Lee

XANGAI/PEQUIM (Reuters) - Um misterioso aumento nas participações em títulos do governo chinês por investidores desconhecidos gerou especulações de que o banco central da China possa ter comprado dívida nos últimos meses para impulsionar a recuperação econômica do país.

O valor dos títulos chineses mantidos por “outras instituições”, normalmente pouco alterado de mês para mês, saltou 196,49 bilhões de iuanes, para 1,79 trilhão de iuanes (257,89 bilhões de dólares) em julho, segundo dados da China Central Depository and Clearing Co (CCDC).

“Existe a possibilidade de compras de títulos do governo pelo banco central”, disse Ming Ming, chefe de pesquisa de renda fixa da CITIC Securities, comentando os dados em uma nota.

Ele citou o relatório de política monetária do banco do segundo trimestre, divulgado na semana passada, que pedia que as políticas monetária e fiscal trabalhassem em conjunto e encorajassem a emissão tranquila de títulos do governo.

O Banco do Povo da China não pode comprar títulos do governo no mercado primário, mas pode fazê-lo no mercado secundário.

Economistas e consultores chineses estão em um debate acalorado há meses sobre se o banco central deve monetizar o déficit fiscal do país comprando títulos do governo -- o que também é conhecido como flexibilização quantitativa -- para apoiar os esforços do governo de colocar a economia de volta nos trilhos após a crise do coronavírus .

Mas outros participantes do mercado estavam menos certos de uma ação direta.

“Se o banco central chinês colocar títulos do tesouro em seu próprio balanço, isso pode prejudicar sua independência”, disse um gerente de renda fixa de uma corretora em Xangai.

Nie Wen, economista do Hwabao Trust, disse que o banco pode ter entrado no mercado por meio de outras instituições para manter as taxas de juros sob controle, mas que também é impossível descartar a compra de títulos por instituições estrangeiras por meio de outros agentes.

Por Andrew Galbraith

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