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Indígenas voltam a bloquear BR-163 e podem protestar por mais 24 horas

NOVO PROGRESSO/SÃO PAULO (Reuters) - Indígenas kayapós que protestam no km 302 da BR-163, importante rota para o escoamento de grãos do Centro-Oeste, voltaram a bloquear o trecho no início da noite, conforme prometeram, apesar de uma decisão de reitegração de posse da Justiça Federal, disse uma testemunha da Reuters no local.

Indígenas bloqueiam trecho da BR-163 em Novo Progresso (PA) 18/08/2020 REUTERS/Lucas Landau

No início da tarde, os indígenas que querem mais apoio para lidar com questões relacionadas à pandemia, entre outras reivindicações, haviam reaberto a estrada para a liberação de uma fila quilométrica de caminhões, transportando principalmente grãos no corredor de exportação.

Antes de ser liberada, a estrada ficou interditada desde as 7h de segunda-feira, na região do município de Novo Progresso.

Os indígenas foram notificados pela polícia nesta terça-feira sobre a decisão judicial, que daria aos manifestantes mais cerca de 24 horas para deixar o local, segundo a testemunha da Reuters. Segundo lideranças indígenas, eles vão encerrar o protesto neste prazo.

Não foi possível falar imediatamente com a 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Santarém, responsável pelo gabinete de crise que acompanha o caso.

Na segunda-feira pela manhã, quando começou o protesto, havia mais de três quilômetros de filas, principalmente de caminhões que rumavam para o porto fluvial de Miritituba, em Itaituba (PA), de onde barcaças levam grãos até os portos próximos ao rio Amazonas para serem exportados.

A BR-163 é um corredor logístico vital para a agricultura do Centro-Oeste, e sua paralisação tem potencial de impactar as exportações de cerca de 50 mil toneladas de soja e milho que passam diariamente pela rodovia rumo ao porto de Miritituba, afirmou a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A rodovia é também um importante canal para a importação de insumos. Todos os dias, o Porto de Barcarena (PA) recebe 1,5 milhão de litros de combustíveis e 300 toneladas de fertilizantes, que são depois transportados para as áreas produtoras de grãos.

“Insumos fundamentais para o agronegócio brasileiro, especialmente neste período de preparativos para o plantio que ocorre nos meses de setembro e outubro”, disse a Abiove.

Os indígenas reivindicam a renovação do Plano Básico Ambiental (PBA), pedem mais atenção para a saúde devido à pandemia de Covid-19 e se posicionam contra a construção da ferrovia Ferrogrão sem que eles sejam ouvidos, uma vez que o projeto prevê a construção dos trilhos perto de suas terras, de acordo com uma testemunha da Reuters no local do protesto.

Reportagem adicional de Roberto Samora

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